CURUMIM

Este blog é dedicado ao universo maravilhoso e às vezes um tanto àrduo da maternidade. Mães, pais, amigos, tios, avós, padrinhos, primos ou simplesmente pessoas que amam crianças e valorizam a infância, estão convidados a sugerir, opinar, discordar, comentar e compartilhar essa experiência.

Peço clemência aos patrulheiros da língua portuguesa pelos erros que virei a cometer e solicito generosamente que vejam além deles.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Casamento



Dia 15 de janeiro fará um ano que me separei. Muitas coisas aconteceram desde então, mas o maior desafio está sendo olhar o mundo sem um parceiro do lado. A gente se acostuma com a presença do outro, compartilha a vida, as questões, os conflitos, os problemas, a educação dos filhos e de repente, nos vimos só. Quando penso em solidão penso que a pior que existe não é aquela que se vivencia sozinha, mas aquela que mesmo acompanhados nos sentirmos absolutamente sós.
O referencial de casamento que tenho é o dos meus pais, Alaydes e Luiz, que ficaram juntos por vinte e sete anos e só se separaram devido a morte prematura de meu pai. Eram muito parceiros e felizes, o que pode trazer algum espanto já que o casamento deles, nos idos dos anos 50, foi "arranjado". Minha mãe dizia que o amor veio com a convivência e depois de sua morte nunca quis se casar novamente. Dizia que tinha nascido para amar apenas um homem. Quase impossível então não ter uma visão positiva e até romântica sobre o assunto. Mas a realidade, o dia a dia é bem diferente. Em meu casamenteo fui muito feliz em vários momentos e em outros fui infeliz e na somatória para não subtrair resolvi dividir, cada um para o seu lado. Ainda assim essa lucidez não me impede de pensar : cara, ele não tá mais aqui. Eu ainda me espanto. Mas assim é a vida e desejo a ele e a mim toda a felicidade que pudermos suportar.
As primeira foto é do casamento de meus pais e a segunda do casamento de meu irmão Nilson 23 anos depois.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Natal na Avenida Paulista





Fui com os meninos visitar a avenida Paulista enfeitada para o Natal. Apesar de morar pertinho ainda não tinha levado os meninos para ver a decoração deste ano. Adoramos passear na avenida nessa época de Natal, mas em 2010 os organizadores capricharam. Resultado: congestionamento de carros e de pessoas nas calçadas.Gostamos de visitar todos os espaços enfeitados, do prédio do SESI até depois do Conjunto Nacional.

Começamos pelo prédio do Bradesco na esquina da Itapeva com a Paulista. Lá tem uma árvore de Natal linda e todos os enfeites são encantadores. Os seguranças são discretos e não ficam intimidando as pessoas. Depois seguimos para o Trianon. Uma amiga que já havia visitado a Paulista me sugeriu que passássemos repelentes para a visita ao parque e ela estava certa. Assim que entramos comecei a sentir as picadas. Os meninos adoraram as bolas azuis penduradas pelo parque, apesar de alguns espaços estarem meio escuros. Mesmo assim tiramos várias fotos. Depois seguimos para o Banco Itaú Personalité. Além do Papai Noel há, este ano, um grande cachorro de pelúcia que acompanha, com movimentos, as músicas natalinas e ainda há a neve. De espuma, que cai após a cantoria. Crianças e adultos se divertem muito. Depois seguimos para o conjunto Nacional, que tem um lindo presépio. Carneirinhos e até camelos carregando os reis magos estão lá. O Bernardo tirou fotos em cima de um deles. Fez a maior pose, mas acho que estava com um pouco de medo. No final quis até tirar uma foto com o "bichinho". Ainda no Conjunto Nacional passamos em frente a uma loja da Cacau Show e o Bernardo começou a fazer manha dizendo que queria chocolate. Como eu não tinha levado dinheiro dei uma bronca nele e já estávamos indo embora quando um moço que estava na loja veio correndo atrás da gente e entregou uma trufa para cada um de nós. Fiquei surpresa e tocada. Agradecemos a gentileza e desejamos a ele boas festas. Depois pensando no gesto do moço fiquei pensando no tal espírito de Natal e concluí com felicidade que ele existe mesmo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Festa de encerramento escola/Bernardo 2010




Como disse que faria escrevo algumas linhas sobre a festa de encerramento da escola do Bernardo. O tema foi contos de fadas e cada turminha "dançou" um dos contos. A turminha do Bê dançou A Pequena Sereia. Uma fofura. A escola é sempre muito cuidadosa na escolha dos figurinos, da trilha-sonora e do tema que será apresentado, então o resultado não podia ser melhor.
Acho importante essas apresentações, pois ajudam a "marcar" que o final do ano está chegando. A criança não conta o tempo como um adulto e esses eventos contribuem para a construção dessa noção do tempo. São pequenas coisas que vão fazendo ela compreender essa passagem. Percebi que o Bernardo começou a sacar que o Natal estava chegando porque as atividades na apostila estavam acabando, começaram os ensaios para a apresentação no teatro e a escola mandou de volta os materiais que não foram usados este ano. Essa série de acontecimentos o levou a concluir que o Natal estava perto. Simples assim. Mas voltando à apresentação as crianças se sairam muito bem e a platéria também se comportou. Alguns pais mais entusiastas gritavam na hora que apreciam imagens dos filhos no telão, então de vez em quando ouvíamos alguns "lindo" "maravilhosa" parte de uma festa simples, mas bem bonita.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Festa de encerramento da escola do Bernardo

Hoje é a festa de encerramento de 2010 da escola do Bernardo. Meu filho já vai para o último ano da pré-escola. Parece que foi ontem, mas ele tinha cinco meses quando começou a frequentar o "ambiente escolar" . Bem cedo. Sofri muito naquela época, pois o Dominique só foi à escola com dois anos, então pensava que tinha que fazer igual com o Bê. Trabalhei muito isso em terapia, pois achava que estava sendo injusta com ele, mas entendi que era outra época e não tinha alternativa, então parei de sofrer. Ele se adaptou muito bem à escolinha é muito sociável, carinhoso, cuidador e acha que tem que proteger os amiguinhos da sala dos "brigões" ou das "brigonas" da escola. Um barato!
Então, como estava dizendo hoje é dia de festa! Todo final de ano a festa encerramento da escola acontece no Teatro Imprensa. É sempre muito colorido, muitas músicas, danças, apresentações, um pouco de choro dos menores, mas nós pais ficamos muito emocionados e orgulhosos de nossos rebentos. Quando alguma criança se atrapalha com a coreografia a plateia bate palma, incentiva, é tudo muito divertido. Claro que também tem alguns stresses, pais querendo pegar o seu lugar, fotógrafo que atrapalha a visão da platéia, mas a energia é boa e no fim tudo dá certo. Coloco aqui algumas fotos dele do último ano e amanhã colocarei as fotos da festa de hoje. Como é a festa de encerramento da escola de seus filhos, sobrinhos, priminhos ou afilhados. Conte pra gente.

Um abraço,
Zanza

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Diários

Toda vez que demoro para escrever em meu blog sinto como se tivesse hibernado. Ocorre um certo estranhamento com meu próprio diário. É meio esquisito. Mas falando em diário meu filho Dominique, de 11 anos, começou a escrever um. Achei graça em rever nele um hábito que sempre tive e resolvi compartilhar sobre essa nossa característica comum. Sabe o que ele fez? Fez troça de mim: você escrever diário? Não combina com você. Me senti desafiada. Já eram 22h00 e resolvi procurar em meus baús os meus tesouros juvenis. Encontrei três: um que escrevi aos 15 anos, outro aos 17 anos e o último dos três, aos 22 anos. Cheia de satisfação mostrei a ele, que ficou completamente surpreso, principalmente com o diário escrito aos 15 anos. Ele é cheio de corações, desenhos, recortes de artistas, fotos etc. Ele me olhava como se tivesse vendo outra pessoa e tive que explicar que não nasci mãe, me tornei, mas que também tinha sido adolescente, com as coisas boas e ruins que essa fase representava. Ele quis ler o que eu havia escrito e eu autorizei. Demos muitas risadas, ele se reconheceu em alguns comportamentos meus e ainda tive que ouvir: tá vendo você também fazia isso ou se comportava assim. Quando terminamos estávamos exaustos, pois lemos todos os três diários. Foi um momento ótimo, de muitas lembranças e de cumplicidade com meu filho. Noite inesquecível essa.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Ausência

Estou de volta! Sempre é assim: começo de bimestre na faculdade é uma loucura, por isso mal tenho tempo de escrever e cuidar de meu blog, mas agora que deu uma acalmada voltarei a essa função deliciosa.

Até breve!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Capítulo Final


- Mas, Douradinha, será que meus pais não vão ficar zangados comigo? Afinal, saí de casa sem avisá-los.
- Pode ser que fiquem, mas eles o amam e vão compreendê-lo.É um bom filho, um bom irmão e um netinho muito amoroso. Estava confuso e triste, por isso agiu sem pensar. E além do mais, todos os perigos porque passou o tornaram mais corajoso. E eles vão ficar contentes com isso. Agora, meu amiguinho, nunca se esqueça de uma coisa: o conhecimento, o dom, só faz sentido quando pudermos passá-lo ao maior número de pessoas, no seu caso, de grilinhos. Vá e seja feliz!
- É uma pena que não conseguirei chegar a tempo para o jantar, estou com muita fome!
- Nisso eu posso ajudá-lo! – e, antes de partir voando entre as árvores, apontou sua varinha mágica para o grilinho e disse:

Forças serenas do céu,
Brilho da lua e do mar,
Faça esse pequeno grilinho,
Chegar a tempo para o jantar!

A família de Onofre o recebeu com grande festa e seu pai, emocionado, o levou até a praça principal para mostrá-lo aos vizinhos. Sensibilizados pela alegria desse reencontro, os grilos esqueceram de qualquer desavença e comprenderam que mais valia um grilhinho desafinado do que um desaparecido. Onofre, feliz por estar de volta se dirigiu até o centro da praça e desatou a cantar uma bela canção. Os grilos, não acreditando no que estavam ouvindo, mal piscavam. Quando Onofre terminou, ouviu-se aplausos e assobios. A cidade dos grilos nunca mais foi a mesma. Todos ficaram encantados com a linda voz do antigo grilinho desafinado. Onofre se tornou o maior cantor de todos os tempos, orgulhando sua família e amigos e, junto com Dona Mariquinha, que havia regressado à colônia por que achou uma bobagem ter partido, abriu uma nova escola para todos que quisessem aprender a cantar com alma, como lhe ensinou sua querida e inesquecível amiga, a fada Douradinha.


FIM

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

- Onofre eu não sei nadar, por isso vou chamar um amigo para ajudá-lo daqui em diante. Para que ele possa entendê-lo é necessário que respire tranqüilamente antes de cada frase e vá soltando o ar devagarinho. Assim sua voz ficará mais nítida e limpa e ele o entenderá. O macaquinho deu um assobio na beira do mar e depois de alguns minutos apareceu ao longe um golfinho.
- Aquele é o Nico, meu amigo dos mares. Suba nesta folha e reme com esse galho até onde ele está. Nico o levará até as sereias. Estarei te esperando quando voltar.
Onofre remou apressadamente até o golfinho e, juntos, mergulharam na imensidão do mar. Onofre foi recebido pela rainha das sereias e contou-lhe tudo o que fizera para chegar até ali e por que buscava o cristal.
- Você precisou de muita coragem e força de vontade, pequeno grilinho. Eu sabia que viria. Estava escrito: “Um pequeno ser, muito corajoso, um dia virá buscá-lo”. Sinto que busca com amor o dom de cantar e poder ajudá-lo, muito me satisfaz. Aqui está o Cristal. Para que possa invocá-lo é necessário que o coloque no totem sagrado das antigas ruínas do Fundo Proibido. Agora vá! Seu tempo está se esgotando. Ah! Mande um grande abraço para minha amiga Douradinha! - Em seguida a sereia rainha partiu para encantar algum pescador desavisado.
Onofre estava aturdido com tudo o que acontecera. Conseguira o Cristal. Nem acreditava. Guardou-o em uma bolsa e para não perder tempo subiu no amigo golfinho e partiu. O macaquinho o esperava e o levou de volta ao Fundo Proibido. Assim que chegou às antigas ruínas depositou o cristal em um buraco na base do totem e imediatamente um forte luz emanou do cristal. Nem parecia a mesma pedra, brilhava intensamente. Do meio da luz, Onofre ouviu uma voz muito poderosa.
- Em que posso ajudá-lo pequena criatura? Encontrastes o cristal. O que buscas?
Onofre contou sobre seu sonho e toda a sua luta para realizá-lo.
A voz permaneceu em silêncio por alguns segundos e em seguida muito serenamente disse:
- O Cristal Revelador revela os caminhos para a realização dos sonhos, mas não é ele que os realiza e sim as criaturas que buscam com verdade e amor vencer seus próprios limites. Com a preocupação em conseguir achar o Cristal não percebeu que durante a caminhada sua voz se transformou. Para conversar com os animais você teve que treinar o agudo, o grave, a respiração, tudo o que um aspirante a cantor precisa fazer para educar sua voz, que se tornou mais melodiosa, encorpada, vigorosa. Você não precisa mais do cristal, já encontrou seu destino. Mas lembre-se, será sua dedicação que fará de você um grande cantor.
Em seguida, o Cristal Revelador desapareceu do lugar onde estava. Onofre achou que tudo o que ocorrera não passara de um sonho, mas o amigo macaquinho estava lá para provar que havia sido real. Se despediu do querido amigo e partiu para o encontro com Douradinha. Achou-a cercada por um monte de fadinhas, cada uma mais bonita que a outra. Contou-lhe emocionado tudo o que acontecera e Douradinha olhando-o com ternura disse:
- O poder para realizar nossos sonhos está dentro de nós e você compreendeu isso. Estou muito feliz por você. Mas agora que encontrou o que buscava precisa voltar para casa. Sua família o espera com muitas saudades.
- Mas, Douradinha, será que meus pais não vão ficar zangados comigo? Afinal, saí de casa sem avisá-los.
- Pode ser que fiquem, mas eles o amam e vão compreendê-lo.É um bom filho, um bom irmão e um netinho muito amoroso. Estava confuso e triste, por isso agiu sem pensar. E além do mais, todos os perigos porque passou o tornaram mais corajoso. E eles vão ficar contentes com isso. Agora, meu amiguinho, nunca se esqueça de uma coisa: o conhecimento, o dom, só faz sentido quando pudermos passá-lo ao maior número de pessoas, no seu caso, de grilinhos. Vá e seja feliz!
- É uma pena que não conseguirei chegar a tempo para o jantar, estou com muita fome!
- Nisso eu posso ajudá-lo! – e, antes de partir voando entre as árvores, apontou sua varinha mágica para o grilinho e disse:

Forças serenas do céu,
Brilho da lua e do mar,
Faça esse pequeno grilinho,
Chegar a tempo para o jantar!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Onofre, o grilinho desafinado - Cap. V


- Onofre, alguns nascem com o dom de cantar e outros precisam se dedicar muito para conseguí-lo, nem por isso são menos merecedores ou talentosos. Se quer aprender a cantar tenho como ajudá-lo, mas para isso precisará vencer um desafio.
- Um desafio? Os olhos do pequeno grilinho brilharam: o que eu preciso fazer, Douradinha? Diga!
- Há muitos séculos atrás um rei de um país distante participou de uma caçada nessas terras. Durante o evento, foi vítima de um bando de salteadores, que lhe roubaram, dentre vários pertences, o Cristal Revelador, um cristal encantado que tinha o poder de revelar às pessoas o caminho para a realização de seus sonhos. Os salteadores, não sabendo do poder do cristal e confundindo-o com uma pedra sem valor pelo seu pouco brilho, o jogaram fora. Desde então nunca mais ninguém ouviu falar do Cristal. O rei, inconformado, organizou inúmeras expedições para encontrá-lo, mas isso nunca aconteceu. Esse é o desafio: encontre o Cristal e saberá como realizar seu sonho.
- Mas Douradinha, se um rei não encontrou o Cristal, como eu vou conseguir encontrar?
- Vá e ouça a voz do seu coração. Ela lhe indicará o caminho. Nos encontraremos amanhã ao cair da tarde nesse mesmo lugar. Após dizer essas palavras, Douradinha desapareceu voando entre as árvores.
Onofre estava assustado, mas pensou que se quisesse alcançar seu sonho tinha que começar a lutar por ele. Respirou fundo e entrou na mata. Procurou atrás de cada árvore, folhagem ou pedra que encontrava. Vagou durante toda a madrugada e nada encontrou. Cansado e com muita sede parou para descansar. De repente, ouviu uma risada. Escondeu-se atrás de uns arbustos e percebeu um macaquinho olhando-o curiosamente.
- Oi, Macaquinho! Você me assustou.
- O que faz perdido na floresta? - perguntou o macaquinho desconfiado. Tinha um voz diferente, aguda.
- Não estou perdido. Estou a procura do meu destino.
- O quê? Não entendi. Pra falar comigo, você têm que falar mais agudo. Só consigo entender sons agudos.
Então, Onofre repetiu agudamente o que havia dito e revelou ao macaquinho toda sua história. O macaquinho ouviu a tudo atentamente e no final lembrou-se de que já havia ouvido de sua avó histórias sobre o Cristal Revelador. Segundo ela, o cristal fora encontrado pelos animais da floresta, que cientes do seu poder, mantinham-no guardado num lugar secreto, sob a vigilância de um ser encantado.
- Onde encontraremos um ser encantado no meio dessa floresta? Perguntou Onofre.
- Grilinho, as florestas são cheias de seres encantados. Há gnomos, fadas, elfos, duendes e outros. Temos que descobrir qual deles está guardando o Cristal. Acho que sei quem pode nos ajudar: Joca, o rinoceronte caolho.
- Um rinoceronte caolho?
- Sim. Um amigo de minha mãe. Joca ficou caolho depois de uma briga com um outro rinoceronte. É muito sábio e ajuda todos os animais que o procuram. Conhece muitas histórias. Deve ter alguma pista sobre o Cristal. Vamos procurá-lo!
Reiniciaram a jornada e depois de muita caminhada encontraram o rinoceronte perto de um rio lamacento. Onofre ficou intimidado pelo tamanho do mamífero, mas assim que sentiu seu olhar bondoso o medo desapareceu.
- Onofre, a briga que Joca teve com o outro rinoceronte afetou sua audição impedindo - o de entender alguns sons, principalmente o agudo, por isso é preciso que converse com ele com voz grave.
Onofre sentiu pena do grandalhão, mas apressou-se em lhe contar sua história esperando que ele pudesse ajudá-lo. O rinoceronte, muito solene, revelou que a única pista que podia dar é que o ser encantado que guardava o Cristal possuia o dom que ele buscava.
- Busco o dom de cantar, então quem será o ser encantado que guarda o cristal?
- Vamos pensar juntos - disse um macaquinho ansioso por ajudar.
- Você falou em elfos, duendes, gnomos e fadas. Não me lembro de ouvir que algum deles são reconhecidos como grandes cantores. Deve ser algum outro ser encantado. Ah! Macaquinho estamos próximos do mar?
- Não, mas há um pequeno rio que ao norte deságua no mar. Por quê?
- De todos os seres encantados que já ouvi falar são as sereias que notadamente possuem o dom de cantar.
- É verdade!Amigo, se estiver certo agora entendo porque o rei nunca encontrou o Cristal. Ele procurou no lugar errado. É um longo caminho até lá, por isso se quiser encontrar o Cristal será necessário que suba em minhas costas para que cheguemos a tempo. Vamos!
O grilinho fez o que o macaquinho sugerira e juntos partiram pulando de galho em galho em busca da mar. A tarde já começava a cair quando ouviram o barulho forte das ondas quebrando nas pedras.
- Onofre eu não sei nadar, por isso vou chamar um amigo para ajudá-lo daqui em diante. Para que ele possa entendê-lo é necessário que respire tranqüilamente antes de cada frase e vá soltando o ar devagarinho. Assim sua voz ficará mais nítida e limpa e ele o entenderá. O macaquinho deu um assobio na beira do mar e depois de alguns minutos apareceu ao longe um golfinho.
- Aquele é o Nico, meu amigo dos mares. Suba nesta folha e reme com esse galho até onde ele está. Nico o levará até as sereias. Estarei te esperando quando voltar.
Onofre remou apressadamente até o golfinho e, juntos, mergulharam na imensidão do mar. ....

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Onofre, o grilinho desafinado - Cap. IV


Onofre, o grilinho desafinado - Cap. IV

Onofre achava Dona Mariquinha uma professora muito exigente. Às vezes lhe pedia uma nota e, quando ele não conseguia alcançar o tom, ralhava e o colocava de castigo. Nessas horas, Sopraninha sentia pena, mas não podia fazer nada e esperava. Depois de meses de aula e muito pouco progresso, a cidade inteira estava certa de que Onofre era mesmo um fracasso. Até Dona Mariquinha, se dando por vencida, foi até a casa de Onofre e o entregou a seu pai. Informou que fecharia sua escola, pois nunca em sua vida havia tido tamanho insucesso. Iria embora e nunca mais voltaria.
Todos na cidade culparam Onofre pela partida de Dona Mariquinha. O grilhinho, completamente desolado, saiu a vagar pelas ruas da colônia e distraído, não percebeu que entrara no Fundo Proibido, um lugar que tinha este nome porque era um fundão que não acabava mais e proibido para todos da colônia. Impedido de enxergar pela escuridão, Onofre acabou caindo em um grande buraco. Quando se deu conta de onde estava começou a chorar:
- Eu tenho medo do escuro. Alguém me ajude! Papai, mamãe, Sopraninha?
Silêncio total. Um silêncio aterrador. Onofre continuava a chorar:
- Socorro!
De repente, ouviu um farfalhar de folhas e quando teve coragem de olhar, quase desmaiou de susto ao ver entrar voando pelo buraco, uma fadinha pequenininha e dourada como a luz do sol.
- Não tenha medo, querido grilinho. Não lhe farei mal. Ouvi seus chamados e vim ajudá-lo.
Ainda receoso, Onofre perguntou:
- Você é uma fada?
- Sim! Meu nome é Douradinha e sou a fada que protege as pequenas criaturinhas perdidas.
- Nossa! Eu não sabia que existia uma fada para esses casos.
- Existem milhares de fadas nos mundo. Cada qual tem uma responsabilidade. A minha é cuidar dos pequeninos como você. Agora, me dê sua mão. Vou tirá-lo daí.
Como num passe de mágica a fadinha tirou o grilhinho do grande buraco.
- Obrigado! Onofre reparou que a voz da fadinha era doce e melodiosa. Uma voz tão linda como nunca ouvira. Não conseguindo se conter comentou:
- Sua voz é belíssima! Parece que você canta quando fala!
Douradinha deu uma gargalhada:
- Como é o seu nome, pequeno grilinho?
- Onofre. Eu me chamo Onofre, da família Boa de Canto.
- Nome curioso o seu. Eu venho de um país encantado, onde cada fadinha - e são milhares - tem um tipo de voz. Cada uma mais bela que a outra.
- A sua deve ser a mais bonita! Que pena que nem todo mundo tem essa sorte - disse o grilinho muito triste.
- Você também deve ser um bom cantor, senão não teria esse nome.
- É esse o meu problema! Venho de uma família de excelentes cantores. Alguns de meus primos, já cantaram até em outras florestas, uma honra entre os meus. Agora eu, sou um fracasso. Quando canto, espanto os grilinhos. Envergonhei meu pai em praça pública. Nunca vou esquecer, por isso fugi. Não quero ser uma desonra para minha família.
- Um filho nunca é uma desonra para um pai. Sua família deve estar preocupadíssima com sua demora.
- Acho que depois dos meus fracassos, eles nem se importam mais.
- Não diga bobagem! Vou lhe mostrar uma coisa:
- Scalabum! Schatucutum!
Após dizer essas palavras, surgiu do meio de uns arbustos, uma pequena árvore. Em sua copa transparente, Onofre viu seus pais desolados e com umas carinhas muito tristes.
- Papai, mamãe, estão me vendo? - perguntou Onofre, todo agitado.
- Não, querido! Eles não podem vê-lo, nem ouví-lo. Choram porque não sabem onde está. Você precisa voltar!
- Mas eu não sei o caminho! Estou perdido!
- Calma, Onofre! Vou ajudá-lo!! Estou aqui para isso.
- Mas se eu voltar nada vai mudar. Vou continuar a ser um grilinho desafinado!
- Onofre, alguns nascem com o dom de cantar e outros precisam se dedicar muito para conseguí-lo, nem por isso são menos merecedores ou talentosos. Se quer aprender a cantar tenho como ajudá-lo, mas para isso precisará vencer um desafio.
- Um desafio? Os olhos do pequeno grilinho brilharam: o que eu preciso fazer, Douradinha? Diga!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Onofre, o grilinho desafinado - Cap. III


Capítulo III

Onofre compreendeu então o que seu pai queria. Pensou que se era tão importante pra ele, cantaria. Apesar de não saber direito o que era cantar. Ah! Lembrou que toda vez que sua mãe ia colocá-lo na cama, fazia biquinho e desatava a soltar um som bem bonitinho. Achou que cantar só podia ser isso. Vendo que não tinha como escapar, resolveu começar logo.
Silêncio total. Os grilinhos, de olhos fechados, mal respiravam.
Encheu-se de coragem, respirou fundo, fez um lindo biquinho e ... nada aconteceu!
Um burburinho tomou conta da platéia. Todos perguntavam o que tinha acontecido, se alguém ouvira alguma coisa, teve grilo que desconfiou que não tinha lavado o ouvido direito. Depois de uma falação danada, Sr. Josué pediu novamente silêncio, dizendo que o pobre do Onofrinho precisava se concentrar. A multidão obedeceu sem pestanejar, afinal, estavam ali para ouví-lo cantar.
O grilinho repetiu tudo o que fizera anteriormente e, desta vez, algo aconteceu. Um ruído estranho e desafinado, parecendo porta rangendo, saiu da boca de Onofre. Assombro total.
Os grilinhos começaram a se entreolhar e a se perguntar:
- Vocês ouviram?
- Será que foi um tremor de terra?
- Digam-me que eu não ouvi o que acho que ouvi! - disse espantada, Dona Loló, a fofoqueira.
- Um desafinado! Que vergonha! A família “Boa de Canto” tem um filho desafinado, que não encanta e sim espanta! Sorte? Ele vai é me dar mais azar, isso sim. Vou me embora. E lá se foi, bufando e pisando duro.
Onofre, não entendendo direito o que havia acontecido, olhou para trás e viu a tristeza estampada no rosto de sua família. Seu pai, debruçado, murmurava:
- Não pode ser! Isso nunca aconteceu em nossa família. É uma desonra! Estou acabado! Que vergonha!
Sentindo que devia ter feito alguma coisa errada, o grilinho foi até seu pai, dando uns pulinhos curtinhos (porque ainda era muito bebê) e murmurou baixinho:
- Desculpe! - e desatou a chorar.
Dona Maviosa, voz maravilhosa, sentindo a tristeza de seu filho o abraçou e, como toda a mãe do mundo, independente de ser bicho, inseto ou gente, acalmou seu pequeno coração.
A multidão, ou melhor, o grileiro, começou a se dispersar, estarrecido com o ocorrido. No outro dia, a família “Boa de Canto” era motivo da conversa em qualquer rodinha que se visse. Saiu nos jornais, televisão, rádio, enfim, só se falava no triste acontecimento. O prefeito João Grilo, declarou luto oficial de três dias.
Em casa, Sr. Josué, agora mais calmo, refletia sobre como resolver tão delicada situação. Seu compadre Gororó foi quem lhe deu uma idéia:
- É melhor colocá-lo o mais rápido possível numa aula de canto. É a única solução.
Resignado, o pai de Onofre mandou imediatamente matricular seu filho na escola de Dona Mariquinha, a professora mais exigente da colônia. Sopraninha, que mudara de idéia e agora vivia grudada em seu irmãozinho, iria acompanhá-lo em todas as aulas.
Onofre achava Dona Mariquinha uma professora muito exigente. Às vezes lhe pedia uma nota e, quando ele não conseguia alcançar o tom, ralhava e o colocava de castigo. Nessas horas, Sopraninha sentia pena, mas não podia fazer nada e esperava. Depois de meses de aula e muito pouco progresso, a cidade inteira estava certa de que Onofre era mesmo um fracasso. Até Dona Mariquinha, se dando por vencida, foi até a casa de Onofre e o entregou a seu pai. Informou que fecharia sua escola, pois nunca em sua vida havia tido tamanho insucesso. Iria embora e nunca mais voltaria.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Onofre, o grilinho desafinado - Cap. II


Abriu a porta devagarinho e ficou muito, mas muito emocionado quando viu Dona Maviosa, voz maravilhosa, segurando um montinho de pano enrolado. Foi chegando de mansinho, beijou a esposa e deu uma espiadinha na “trouxinha”. Reparou que ele tinha olhos pretos como jabuticaba. Sua boquinha era pequenininha e carnudinha, mas tinha aquele traço comum a todos na família. O lábio superior era, no cantinho, um pouco levantado. Teve então a certeza de que ele seria um grande cantor.
- Oi, eu sou o seu papai!
Virando para sua sogra perguntou:
- Ele não é a minha cara?
Vovó Alaydes, torcendo um pouco o nariz, respondeu:
- Ainda é muito cedo para saber! - Coisas de sogra.
Sr. Josué, ainda bobo, nem prestou atenção. Continuava a olhar e admirar o seu rebento. Resolveu chamá-lo, Onofre. Em homenagem a um grande professor de canto lírico que tivera na escola. Dona Maviosa aprovou e disse que parecia nome de artista.
O pai, emocionado, anunciou da janela de sua pequena casa que seu filho nascera. Foi uma festa. Todos vieram cumprimentá-lo e desejar saúde e felicidade ao pequeno Onofre. Como era comum, informou ao grilos que apresentaria seu filho em uma semana. Explico: no mundo dos humanos existem rituais religiosos como o batismo, a crisma, a primeira comunhão, o casamento e etc. No mundo dos grilos também, só que são diferentes. O mais importante deles é a apresentação do recém-nascido à comunidade. Acontece uma semana depois do nascimento. É nesse dia que o bebê, no caso Onofre, entoaria seu primeiro canto. E o primeiro canto de um membro dessa família, era esperado por todos com muita ansiedade, porque além de lindo e suave, trazia sorte a todos que o ouviam. Uma semana depois, foi erguido um palanque no meio da praça central, em frente à igreja. Todos vestiram suas melhores roupas, se perfumaram, se embonecaram e foram cedo em busca dos melhores lugares. Uma parte da população da colônia acreditava que quanto mais perto do grilinho ficasse, mais sorte teria. Isso nunca foi comprovado.
Quando toda a população já se encontrava na praça - e eram mais de dois mil - o sino tocou três vezes e toda a família “Boa de Canto” chegou. Sr. Josué, Dona Maviosa, Sopraninha, os primos e toda a parentada, subiu no palco. Até então, Onofre estava escondidinho, como parte do ritual. Os pais do pequeno grilinho se dirigiram ao centro do palco e sobre um altar onde se encontrava uma belíssima folha ainda com gotas de orvalho, depositaram a “trouxinha”.
Fez-se silêncio na multidão. Ninguém respirava.
Dona Maviosa, voz maravilhosa, começou então a desenrolar seu filhinho. Eram as mamães que brilhavam nesta parte. Devagar, muito devagar tirou a primeira ponta da manta que cobria o bebê. Ouviu-se então um “Oh!” - e a cada ponta que descobria mais “Ohs!” Quando Dona Maviosa tirou a última ponta e mostrou a todos seu filhinho, o povo, encantado, rompeu num mar de aplausos e assobios.
- Lindo, maravilhoso! - dizia Dona Eulália, a costureira.
- Um belo rapagão! - dizia Sr. Quindim, o açougueiro.
- Um principezinho, afirmou Dona Candinha, melhor amiga de Dona Maviosa. O que os grilos não sabiam ou não perceberam é que toda aquela gritaria havia deixado o pobrezinho completamente apavorado. Suas perninhas não paravam de tremer, seu coraçãozinho estava acelerado e ele desatou a chorar. Reagiu assim, porque afinal era só um bebê, tinha sete dias de vida, ora bolas! Depois que sua mamãe lhe abraçou e lhe deu um beijinho, parou de chorar.
- Agora que o bebê acalmou, bota ele pra cantar! Estou em uma maré de azar e espero que ele me traga sorte - resmungou o Sr. Zeferino, um grilo que todos achavam chato e rabugento.
Sr. Josué se aproximou de Onofre e disse baixinho no seu ouvido:
- Vamos, filhinho, cante! Solte sua linda voz e encante a todos!Onofre compreendeu então o que seu pai queria. Pensou que se era tão importante pra ele, cantaria. Apesar de não saber direito o que era cantar. Ah! Lembrou que toda vez que sua mãe ia colocá-lo na cama, fazia biquinho e desatava a soltar um som bem bonitinho. Achou que cantar só podia ser isso. Vendo que não tinha como escapar, resolveu começar logo...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Onofre, o grilinho desafinado - Cap. I

Muitos amigos sabem da minha vontade de escrever livros para crianças. É um público que me inspira, emociona e motiva, mas são meus filhos sem dúvida nenhuma minha maior inspiração. Dedico essa história, que tomou de assalto minha alma e meu coração à todas as crianças e adultos que ainda guardam dentro de si a criança que um dia foram.
O texto do Onofre foi desenvolvido para um concurso de livros infantis. Não ganhei, mas acho uma história tão fofa, que tive vontade de partilhá-la com vocês. Vou publicá-la em capítulos. Deixem suas opiniões, seus olhares, suas impressões. Quem sabe algum editor goste e me faça um convite para publicá-lo. Seria demais!

ONOFRE , O GRILINHO DESAFINADO
Capítulo I
Em um matagal perto de um rio cristalino havia uma grande comunidade grileira, isto é, uma cidade de grilos. Essa seria mais uma história comum sobre grilos, se não fosse o inusitado acontecimento que atingiu a família Boa de Canto com o nascimento de um novo integrante, o pequeno Onofre.
Essa família era famosa por possuir grandes cantores. Você pode estar se perguntando: que novidade há em uma família de grilos que cantem, afinal, todos os grilos cantam. Acontece que esta família era especial. Tinha em seu clã: barítonos, sopranos, baixos, contraltos, etc. Sempre era convidada para alegrar as festas de toda a população da colônia. Só não gostava de cantar quando algum grilinho morria, porque fora a tristeza pela perda de um amigo, não podiam dar seus famosos agudos.
Tudo andava tranqüilamente até que Dona Maviosa, voz maravilhosa, reuniu a família e contou que nasceria dentro em breve mais um grilinho para alegrá-los. Todos ficaram felizes. No mesmo dia, as apostas começaram:
- Será ele um barítono, dizia o vovô Genival, todo orgulhoso.
- Nada disso, respondeu vovó Alaydes, fazendo um muxoxo. Aposto que ele será um tenor. E dos melhores.
- Eu sou o pai e tenho certeza de que meu filho será um baixo, afirmava Sr. Josué.
Em todos os lugares da colônia só se falava no nascimento do mais novo integrante da tão prestigiada família.
Chegou o grande dia. Todos acordaram cedo, limparam suas casas, aguaram as plantinhas, sacudiram os tapetes e esperaram. É, porque fora isso, não tinham muito o que fazer.
Na casa de Dona Maviosa o rebuliço era total. Sr. Josué, não parava de andar de um lado para o outro de tanta ansiedade e nervosismo. Seus compadres, Gererê e Gororó, tentavam acalmá-lo:
- Fique tranqüilo, vai dar tudo certo. Se continuar a andar assim vai abrir um buraco no chão.
Sopraninha, que era a caçulinha da família, estava meio apreensiva e sentia vontade de chorar. Seu coraçãozinho estava apertado, pois, temia que com a chegada do novo irmãozinho, todos a esquecessem. Por mais que Dona Maviosa, sua mãe, lhe dissesse que seria sempre sua princesa, ela sentia um friozinho na barriga. Agachadinha, pensando com seus botões, levou o maior susto quando vovó Alaydes entrou gritando:
- Nasceu! Nasceu! O pequerrucho nasceu!
Foi uma correria. O Sr. Josué de tão atarantado não sabia o que fazer. Andava de um lado para o outro e, de repente, começou a chorar um choro baixinho. Só que não era de tristeza, mas sim de muita felicidade. Só parou de caminhar quando seus compadres, Gererê e Gororó, lhe perguntaram se não ia ver o filho. Percebendo que estava parecendo um bobo saiu em disparada para o quarto. Abriu a porta devagarinho e ficou muito, mas muito emocionado quando viu Dona Maviosa, voz maravilhosa, segurando um montinho de pano enrolado. Foi chegando de mansinho.....

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Mistérios




Encarapitado nos ombros do pai, a caminho da escola, Nick faz um pedido:
- Pai, me compra uma floresta?
- Uma floresta?
- É. Uma floresta.
- Filho, florestas não se compram, florestas se plantam.
- Você planta uma pra mim?
Como explicar a um menino de quatro anos, que era impossível plantar uma floresta morando numa cidade com concreto por todos os lados e com pouquíssimas áreas verdes?
- Por que você quer uma floresta?
- Por causa do mistério.
- Que mistério?
- Pai, toda história de floresta tem mistérios. Há sempre barulhos estranhos, bichos estranhos, segredos, bruxas malvadas, monstros horripilantes, um monte de coisa que me mete medo.
- E o que você vai fazer com uma floresta?
- Vou prender o mistério.
- Como assim?
- Se eu tiver uma floresta vou poder prender o mistério pra ele não assustar mais nenhuma criança. Vai deixar de existir.
- Mas filho, como as crianças vão conhecer João e Maria, Chapeuzinho Vermelho, A Bela e a Fera, O pequeno Polegar, Branca de Neve, Rapunzel e tantas outras histórias? Elas nunca vão poder torcer para que o João se lembre do caminho de volta ou que o caçador abra a barriga do lobo e tire de lá de dentro a vovozinha. Como vão saber do Pequeno Polegar e sua luta contra o gigante pra ajudar sua família? E a Branca de Neve e a Rapunzel? Como as meninas vão viver sem conhecer essas lindas histórias de princesas?
Nick olhou para o pai com cara de espanto, não havia pensado nisso. Permaneceu em silêncio por alguns minutos e depois com uma carinha que revelava uma sabedoria grande demais para um menino tão pequeno, disse:
- Pensando bem, acho melhor deixar o mistério livre. Ele é assustador, mas confesso que até gosto um pouquinho dele. Com uma carinha marota começou a cantarolar uma canção se distraindo com um passarinho que voava por ali. O pai, sem entender nada, ficou pensando com seus botões no motivo que teria feito o menino mudar de idéia. Aí, se deu conta da beleza e do poder do MISTÉRIO. Jamais saberia.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Ônibus-biblioteca



Uma das coisas que mais marcou o início da minha vida escolar foi o Projeto do ônibus biblioteca. Toda quarta-feira, dia em que o ônibus vinha à minha escola (havia um rodízio pelos colégios da cidade) eu contava os minutos para a sua chegada. Não prestava a mínima atenção ao que a professora dizia. Como sentava em uma carteira perto da janela, dava pra ver a hora exata em que o ônibus amarelinho estacionava. Quando o via, gritava para professora: ele chegou, ele chegou e saia correndo em disparada. Cada sala podia ficar no ônibus por meia hora e os minutos pra mim voavam com uma velocidade espantosa. Podíamos escolher dois livros, que ficariam na escola até a semana seguinte. Difícil era saber qual escolher. Sempre pedia para a tia responsável me deixar levar mais alguns, mas ela era irredutível.
- Que troque entre seus amigos, me dizia com cara de poucos amigos. Lia rapidamente os livros e passava a semana importunando meus colegas para me deixar ler os deles. Alguns, sequer abriam os livros que pegavam no ônibus, eu achava aquilo um desaforo, outros, para que eu os deixassem em paz me emprestavam logo.
Foi assim que o gosto pela leitura foi me contagiando, mas houve uma pessoa que marcaria pra sempre essa minha relação com as letras: Edezina, Dêgo, para os íntimos, minha professora de História. Eu já estava na quinta série e no primeiro dia de aula ela trouxe para sala um monte de livros e pediu que escolhêssemos um para levarmos pra casa, ela nos emprestaria. Ela era uma professora diferente. Morava numa sobrado lindo, tinha três filhos, era casada com o Editor do Jornal da cidade, mas era simples e generosa. Como morava a uma quadra da escola era comum alguns alunos pararem para bater papo com ela toda vez que a viam no jardim, regando suas plantas. Ela parava o que estava fazendo e sempre nos acolhia com um sorriso, se interessava pelo que dizíamos. Era especial. Sempre fazia a gente se sentir importante, respeitada.
Passei a gostar ainda mais dela quando descobri que tinha em sua casa uma biblioteca. Naquela época a escola estava organizando um grêmio estudantil e três chapas concorreram. Na chapa em que eu participava propomos a criação de um jornal e acho que foi o que fez a diferença, pois ganhamos a eleição. Dêgo se ofereceu para nos ajudar e disponibilizou sua casa para que rodássemos o jornal. Era 1984 e o computador não tinha chegado até nós, portanto rodávamos o jornal em um mimiógrafo. Era tudo artesanal e fui encubida pelo grupo de ser a jornalista do grêmio. Com isso, minhas visitas à casa de Dêgo passaram a ser frequentes. Sempre arrumava um motivo pra estar lá. Resolvia logo o que precisava e em seguida pedia pra dar uma olhada na biblioteca. Ela sempre deixava e com o tempo percebi que ela gostava de minhas visitas. Londrina, sediava um Festival de Música Internacional e as famílias podiam se cadastrar pra hospedar os músicos estrangeiros em suas casa e Dêgo todos os anos recebia os artistas. Lembro-me que muitas vezes eu estava lá quando algum chegava e ela sempre me apresentava dizendo que eu já tinha lido toda sua biblioteca. Eu me sentia muito importante. Foi lá que conheci os Irmãos Grimm, Charles Perraut, Júlio Verne, Monteiro Lobato, Hans Christian Andersen, toda a coleção Vaga-Lume e muitos outros. Sinto uma gratidão profunda pela generosidade com que Dêgo me recebia em sua casa e abria o universo das letras para mim. Esse gosto, esse amor pelos livros que me segue até os dias de hoje devo muito a minha inesquecível professora de História.

Blog da Zanza: Milagre da maternidade

Blog da Zanza: Milagre da maternidade

Milagre da maternidade







A maternidade é sem dúvida nenhuma um prazer que se renova a cada dia. É um exercício diário pra se praticar com amor e desprendimento. Adoro estar com meus meninos, olhar pra eles, contar histórias, ouvir as histórias deles, apresentar o mundo pra eles, acalentá-los, ampará-los e vê-los crescer. Não é simples, mas com amor, sinceridade e gratidão tudo se ajeita. Digo gratidão, pois sou mesmo muito grata por ter tido a oportunidade de vivenciar essa experiência. Muitas não conseguem ou não podem, como minha irmã Val. Seu sonho era ser mãe, lutou muito por isso e depois de muitos anos conseguiu realizá-lo. Teve uma filha linda, mas não pode segurá-la em seus braços. Partiu antes pro infinito, onde dormem os justos. Ainda na uti neo-natal, com a solidariedade da enfermeira de plantão, segurei aquela menininha frágil e prematura nos braços. Abracei-a com um carinho como se pudesse protegê-la de tudo que viria pela frente e sussurei em seus pequenos ouvidos que cantaria para ela canções que eu sabia que sua mãe lhe cantaria se estivesse ali. Foi um momento muito marcante da minha vida. Daqueles que ficam congelados em nossa memória. Sua filha, sonho de qualquer mãe e minha afilhada, segue hoje pela vida, ao lado do pai, levando em seus traços e modos, o jeito indiscutível de minha eterna irmã amada. As vezes, quando olho para os meus meninos lembro-me de minha irmã e sinto gratidão pelo milagre de ter podido carregar um filho nos braços. Ela, que saiu do Paraná no meio da noite e veio pra São Paulo numa visita surpresa na maternidade quando tive meu primeiro filho. Fez de tudo pra estar presente nesse momento tão especial da minha vida. Passou uma noite comigo no hospital e olhava pro meu filho num estado de felicidade indescritível, sem saber que já carregava em seu ventre o maior dos seus sonhos. Era divertida, brincalhona, alto-astral, doce, paciente e amava crianças, motivo que a levou ao magistério e a sua paixão por ensinar. Com todas essas qualidades achei que era a pessoa ideal para batizar meu filho e quando a convidei, ela ficou extremamente emocionada. Mas isso infelizmente não aconteceria, pois seis meses depois, um dia após a realização do chá de bebê de sua menina, tudo se precipitaria deixando marcas eternas em nossas vidas. A dor foi lancinante e me levou a uma depressão que sem a ajuda de Deus e dos familiares eu não suportaria. Foi meu bebê e a fé em uma força maior que me fez superar toda a dor. Sei que a luz dela acompanha meus passos nessa caminhada que é a maternidade e tenho vontade de fazer sempre o melhor para honrá-la no desejo que infelizmente não pôde vivenciar. Val, meu eterno amor.






terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Senhas e códigos




Ao fazer compras no mercado o caixa me perguntou: quer nota-fiscal paulista? Respondi que sim e ele continuou: qual o seu CPF? Tentei responder, mas simplesmente não conseguia lembrar dos números que insistentemente informo quando vou às compras. Deu branco total. O caixa, impaciente, me perguntou de quantos em quantos números eu decorava. Ao responder que eram de dois em dois, ele aproveitou pra me dizer que era por isso que eu não me lembrava, que CPF se decorava de três em três números. Olhando pra ele fiquei pensando na infinidade de números e senhas que a gente tem que decorar: é senha de banco, é letra de acesso, é senha na internet, é senha do cartão dos filhos, é senha pra acessar o computador no trabalho,senha, senha, senha. É uma loucura.Há gente nascendo o tempo todo e a necessidade de identificação, até para nossa segurança se faz necessário, mas são tantos números e senhas que daqui a pouco os bebês sairão do hospital com código de barra.Há tantas coisas interessantes, belas e poéticas para ocupar nossas mentes, que acho um desperdício deixar tanto espaço pra números e senhas. Ô coisa irritante! E você? O que te irrita? Deixe seu comentário!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O livro e a criança


Não me lembro do primeiro livro que li, tampouco, lembro quando foi que passei a gostar de ler, mas tenho algumas pistas. Meus pais eram semi-analfabetos e em minha casa livros eram artigos raros, a não ser os didáticos que meus irmãos mais velhos recebiam como doações de seus professores. Com 13 filhos para alimentar e vestir, não havia dinheiro suficiente para comprá-los. Um tempo depois, gibis e livrinhos de bolso, aqueles de faroeste, começaram a circular em casa escondidos de minha mãe. Evangélica, ela não gostava que lêsse-mos aquelas “porcarias”. Havia gibis do Tex, Zagor, Ken Parker, Fantasma, Chacal, Mandrake, Zero, Conam, Homem Aranha, Superman, Walt Disney, Turma da Mônica e muitos outros. Quando descobri aquela“mina” comecei a fazer longas incursões ao quarto dos rapazes. As vezes ouvia a voz de minha mãe e saia correndo pela janela pra que ela não descobrisse onde eu estava. Não queria correr o risco de perder aquele tesouro. Quando meus irmãos me descobriram, não brigaram, passaram a ser meus cúmplices. Acho que eles gostavam de ver uma pirralha como eu distraida com a literatura de que gostavam.

Tudo ia bem até o dia em que um deles, muito avoado, deixou uma revista de mulher pelada junto aos gibis. Nunca tinha visto uma mulher estranha nua. Sendo a sétima de oito irmãs, a nudez feminina não me era segredo, mas aquelas fotos me deixaram completamente espantada. As mulheres eram grandes, cheias de carne e me deixaram intimidada, envergonhada. Passei a mão pelo meu corpo franzino de menina e achei que devia haver algo errado comigo. Peguei umas roupas espalhadas pelo quarto e coloquei embaixo da camiseta. Decididamente, eu não me parecia com elas. Com medo de ser surpreendida, saí correndo do quarto com o coração em disparada e acabei esquecendo a porta aberta. Foi um erro. Minha mãe entrou no quarto para dar uma arrumada e descobriu a minha mina. Queimou tudo. Brigou com os meus irmãos e me proibiu de entrar no quarto. Fiquei por vários dias desolada. Como não havia televisão em casa sentia muita falta das histórias que lia. Foi a primeira vez que quis ter outra mãe. Houve outras vezes.
Esse amor pelos livros que me acompanha até os dias de hoje foi revitalizado ainda mais quando me tornei mãe. Revisitar autores e personagens que fizeram parte da minha vida com meus meninos foi uma experiência incrível.É uma volta no tempo, num tempo em que a vida era simples e as angústias se resumiam a bruxas, ogros, feitiços, lobos, gigantes, torres etc.Mas sem dúvida nenhuma essas angústias e medos me fortaleceram para a vida real, papel importantíssimo desempenhado pelos contos de fadas e pela literatura de qualidade voltada às crianças. E você gosta de ler? O que lia quando criança? Gosta de ler para os filhos? Deixe seu comentário. Faça uma blogueira feliz!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Minha nova paixão: sapatos


Descobri recentemente que adoro sapatos. Com um orçamento sempre enxuto nunca dei muita bola pra esse item do vestuário feminino, mas com tantas mudanças ocorrendo em minha vida comecei a despertar pra coisas que não ligava, como sapatos. Tá, meu orçamento não mudou, não tive aumento de salário, não ganhei na mega-sena e nem recebi nenhuma herança, simplesmente me permiti apreciar e entender esse item que deixa muitas mulheres malucas.

Tenho me atentado mais em coisas do universo feminino como acessórios, bijouterias etc. Com a correria da vida muitas vezes deixamos de lado esses aspectos tão instintivos do feminino como a sensualidade e a sedução, mas como estou num momento de resgate estou dando vazão a todo tipo de sensação e curiosidades que me assaltam.

Calço pequeno, meu número é 33/34 e sempre tive uma certa dificuldade em encontrar coisas legais, mas acho que a medida que passei a me interessar por esse universo começei a descobrir cada modelo de encher os olhos. Entrei em uma loja e fiquei doidinha com a variedade de modelos para o meu número. Antes, só olhava pela vitrine, mas resolvi entrar e experimentar alguns. Amei e mesmo não comprando nada saí da loja com uma felicidade incrível. Pequenos prazeres fazem uma grande diferença no dia a dia.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Abelardo da Hora

Já há alguns dias meu filho Nick vinha me pedindo para levá-lo à a livraria Saraiva do Conjunto Nacional. É um passeio que curtimos fazer, podemos folhear os livros, lê-los sem pressa, sem patrulhamento de funcionários com caras ranzinzas, enfim é algo tranquilo e prazeroso. Em frente ao MASP algumas esculturas me chamaram a atenção. Curiosa resolvi dar uma olhadinha, mas não tinha dimensão do quanto ia gostar. A exposição intitulada Amor e Solidariedade, de Abelardo da Hora, um pernambucano arretado e multi-talentoso, que além de escultor é pintor, gravurista, ceramista, desenhista é simplesmente maravilhosa. Abelardo diz que sua obra é feita para a sua gente, pra gente que ama a cultura de seu país, gente com a gente.

Há esculturas de bronze, cimento bruto, telas, desenhos, gravuras e cerâmicas. Muitas das obras expostas retratam o corpo feminino com sensualidade e um certo recato, mas há também obras que expõe as condições sub-humanas da sociedade nordestina e os efeitos devastadores da seca sobre o homem. São esculturas impactantes e belas. De blocos inteiros de cimento surgem figuras delicadas, crianças chorando a fome, o desamparo, o esquecimento. No rosto dos pais o desespero avassalador, a resignação. São muitas as esculturas, mas duas me tocaram especialmente, Mãe com Filho Doente e Desamparados. Dói só de olhar. As gravuras, os desenhos da Série Os Meninos de Recife também são belos e simples, como são meninos quando são só meninos. Agora, as esculturas do corpo feminino são deveras exuberantes. Adorei a Nega Fulô com seu olhar imponente e orgulhoso. A exposição é linda e merece a visita de todos. Vamos prestigiar os artistas nacionais, principalmente aquele que são notadamente mestres em sua arte.Quem for ver a exposição deixe um comentário sobre suas impressões. Vou adorar!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Diversidade do ser




Outro dia, meu filho Dominique chegou da escola falando da beleza dos olhos claros de uma amiga. Me faz saber que gostaria muito de ter olhos claros e pensando nisso resolvi escrever um texto que valorizasse a beleza como ela se apresenta.


OLHOS CASTANHOS

- Mãe, eu não queria ter olhos castanhos, revelou Clarinha com um muxoxo. Queria ter olhos azuis como os da Paulinha e do Rafael. São tão bonitos.
Clarice olhou surpresa para a filha:
- Mas Clara, seus olhos são lindos!
- Eu não acho eles assim tão bonitos, podiam ter uma corzinha diferente.
Percebendo que não conseguiria convencê-la facilmente, Clarice resolveu lhe narrar uma história que sua avó, Alaydes, havia lhe contado há muito tempo atrás, quando ainda era menina.
Deus, um grande artista, sempre adorou as cores, por isso coloriu tão lindamente as coisas do mundo. Quando criou os homens percebeu que poderia colocar em uma pequena parte dos seus corpos, os olhos, algumas de suas cores preferidas. Então do imenso azul do céu retirou um pedacinho e coloriu os olhos de alguns homens. Não iria fazer falta.
Do verde das florestas do mundo, retirou outro pedacinho e deu a outros homens. Da noite escura, que nos permite ver a beleza da lua e das estrelas um outro pedacinho foi tirado e, então, o negro da noite foi parar nos olhos de alguns homens.
Clarice foi então interrompida pela ansiedade de Clara:
- E os olhos castanhos, mamãe, de onde Deus tirou essa idéia?
- Ah! Deus pensou e pensou e lembrou-se da Terra, da nossa mãe terra, do solo marrom de onde germina a vida e brota a semente a fruta e a flor e retirou um pedacinho para colorir os olhos dos últimos homens.
Aí, Deus se alegrou imensamente do trabalho que havia feito e da variedade de cores que teriam os olhos dos homens.
Clara, que a tudo ouvia sem piscar, abraçou sua mãe e com emoção revelou que também estava alegre e que daquele dia em diante teria muito orgulho dos seus lindos olhos castanhos.

Vida que se celebra


Sempre que chego no trabalho às segundas-feiras faço questão de ler os jornais do final de semana. Acompanho em casa pela internet as notícias, mas como atualmente não assino nenhum jornal adoro poder folhear um , mesmo já conhecendo o conteúdo das notícias. Milagres continuam acontecendo no Haiti, pois depois de tantos dias da tragédia vítimas continuam sendo encontradas vivas debaixo dos escombros. Minhas orações e pensamentos continuam por lá, numa corrente com milhares de pessoas pelo mundo, com certeza.Acontecimentos como esse nos dão a dimensão da fragilidade da vida humana e nos lembram a beleza e o milagre de estarmos vivos. A cada manhã, quando abro os olhos, agradeço por estar pulsando, respirando, por estar viva, por estar perto dos meus meninos, que crescem a cada dia cheios de saúde e traquinagem. E peço a Deus que me guie sempre nessa jornada maravilhosa que é a educação de um ser humano, de um filho, no meu caso de dois filhos. A maternidade é sem dúvida nenhuma uma experiência fantástica e pessoal, pois cada criança é única em seu olhar, em suas respostas, em sua compreensão, e conduzí-las pela vida é uma oportunidade, um privilégio que o universo nos dá para nos tornarmos cada vez mais humanos, mais generosos e menos individualistas.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Pensamentos

Meu ano começou com grandes mudanças, difíceis mas grandes. Solteira, com dois filhos lindos e saudáveis para criar, faculdade, trabalho, sonhos, medos, mas acima de tudo esperança. Esperança por um ano melhor, de redescobertas, reencontros, uma maior espiritualização e da busca pela simplicidade. Engraçado que com o passar dos anos nossas prioridades vão mudando, não os valores, mas a hierarquia do que considerávamos importante.

A cada dia que passa busco o simples. Ultimamente quando algo desperta meu interesse sempre me pergunto: você precisa mesmo disso? Deixei de comprar coisas, de fazer coisas, pois entendi que muitas vezes não precisava daquilo. Era só um desejo de ter. E cada dia mais busco o ser, o sentido de humanidade que habita minha alma e espírito. Estou correndo em busca de coisas genuínas, que de fato me trazem alegria, prazer, como escrever. Resolvi que vou investir nesse desejo, que vou dar vazão a ele, deixar brotar as palavras, as letras, que insistem em sair de meus pensamentos. Não vou mais represá-los. Vou libertá-los, pois quando faço isso minha alma se alegra e meu espírito se aquieta.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Comecei 2010 com uma idéia fixa: escrever regularmente no blog. Até então ficava meses sem escrever nada, esquecia o endereço, completamente displicente, mas agora firmei um compromisso de que será diferente dessa vez. Ano novo sempre me inspira a escrever. Sinto vontade de burilar as letras, soltar a criatividade, inventar e me divertir.
2010 começou de uma forma bastante trágica, muitas catrástofes, desabamentos, soterramentos, terremotos, ameaças de tsunami etc. É espantos0 como a natureza tem respondido aos avanços do homem. Quantas vidas se foram nesse início de ano. O Haiti é aqui sim, pois olhar as imagens da devastação sofrida por aquele povo nos compadecemos, nos chocamos e nos aproximamos na dor. A perda de tantas vidas entre elas a de Zilda Arns, uma das mulheres que eu mais admirava nesse país me deixou estarrecida. Ela era nossa Madre Tereza de Calcutá, fazia pelos menos privilegiados, pelas crianças, então terá minha eterna gratidão e respeito.