CURUMIM

Este blog é dedicado ao universo maravilhoso e às vezes um tanto àrduo da maternidade. Mães, pais, amigos, tios, avós, padrinhos, primos ou simplesmente pessoas que amam crianças e valorizam a infância, estão convidados a sugerir, opinar, discordar, comentar e compartilhar essa experiência.

Peço clemência aos patrulheiros da língua portuguesa pelos erros que virei a cometer e solicito generosamente que vejam além deles.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Onofre, o grilinho desafinado - Cap. IV


Onofre, o grilinho desafinado - Cap. IV

Onofre achava Dona Mariquinha uma professora muito exigente. Às vezes lhe pedia uma nota e, quando ele não conseguia alcançar o tom, ralhava e o colocava de castigo. Nessas horas, Sopraninha sentia pena, mas não podia fazer nada e esperava. Depois de meses de aula e muito pouco progresso, a cidade inteira estava certa de que Onofre era mesmo um fracasso. Até Dona Mariquinha, se dando por vencida, foi até a casa de Onofre e o entregou a seu pai. Informou que fecharia sua escola, pois nunca em sua vida havia tido tamanho insucesso. Iria embora e nunca mais voltaria.
Todos na cidade culparam Onofre pela partida de Dona Mariquinha. O grilhinho, completamente desolado, saiu a vagar pelas ruas da colônia e distraído, não percebeu que entrara no Fundo Proibido, um lugar que tinha este nome porque era um fundão que não acabava mais e proibido para todos da colônia. Impedido de enxergar pela escuridão, Onofre acabou caindo em um grande buraco. Quando se deu conta de onde estava começou a chorar:
- Eu tenho medo do escuro. Alguém me ajude! Papai, mamãe, Sopraninha?
Silêncio total. Um silêncio aterrador. Onofre continuava a chorar:
- Socorro!
De repente, ouviu um farfalhar de folhas e quando teve coragem de olhar, quase desmaiou de susto ao ver entrar voando pelo buraco, uma fadinha pequenininha e dourada como a luz do sol.
- Não tenha medo, querido grilinho. Não lhe farei mal. Ouvi seus chamados e vim ajudá-lo.
Ainda receoso, Onofre perguntou:
- Você é uma fada?
- Sim! Meu nome é Douradinha e sou a fada que protege as pequenas criaturinhas perdidas.
- Nossa! Eu não sabia que existia uma fada para esses casos.
- Existem milhares de fadas nos mundo. Cada qual tem uma responsabilidade. A minha é cuidar dos pequeninos como você. Agora, me dê sua mão. Vou tirá-lo daí.
Como num passe de mágica a fadinha tirou o grilhinho do grande buraco.
- Obrigado! Onofre reparou que a voz da fadinha era doce e melodiosa. Uma voz tão linda como nunca ouvira. Não conseguindo se conter comentou:
- Sua voz é belíssima! Parece que você canta quando fala!
Douradinha deu uma gargalhada:
- Como é o seu nome, pequeno grilinho?
- Onofre. Eu me chamo Onofre, da família Boa de Canto.
- Nome curioso o seu. Eu venho de um país encantado, onde cada fadinha - e são milhares - tem um tipo de voz. Cada uma mais bela que a outra.
- A sua deve ser a mais bonita! Que pena que nem todo mundo tem essa sorte - disse o grilinho muito triste.
- Você também deve ser um bom cantor, senão não teria esse nome.
- É esse o meu problema! Venho de uma família de excelentes cantores. Alguns de meus primos, já cantaram até em outras florestas, uma honra entre os meus. Agora eu, sou um fracasso. Quando canto, espanto os grilinhos. Envergonhei meu pai em praça pública. Nunca vou esquecer, por isso fugi. Não quero ser uma desonra para minha família.
- Um filho nunca é uma desonra para um pai. Sua família deve estar preocupadíssima com sua demora.
- Acho que depois dos meus fracassos, eles nem se importam mais.
- Não diga bobagem! Vou lhe mostrar uma coisa:
- Scalabum! Schatucutum!
Após dizer essas palavras, surgiu do meio de uns arbustos, uma pequena árvore. Em sua copa transparente, Onofre viu seus pais desolados e com umas carinhas muito tristes.
- Papai, mamãe, estão me vendo? - perguntou Onofre, todo agitado.
- Não, querido! Eles não podem vê-lo, nem ouví-lo. Choram porque não sabem onde está. Você precisa voltar!
- Mas eu não sei o caminho! Estou perdido!
- Calma, Onofre! Vou ajudá-lo!! Estou aqui para isso.
- Mas se eu voltar nada vai mudar. Vou continuar a ser um grilinho desafinado!
- Onofre, alguns nascem com o dom de cantar e outros precisam se dedicar muito para conseguí-lo, nem por isso são menos merecedores ou talentosos. Se quer aprender a cantar tenho como ajudá-lo, mas para isso precisará vencer um desafio.
- Um desafio? Os olhos do pequeno grilinho brilharam: o que eu preciso fazer, Douradinha? Diga!

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