CURUMIM

Este blog é dedicado ao universo maravilhoso e às vezes um tanto àrduo da maternidade. Mães, pais, amigos, tios, avós, padrinhos, primos ou simplesmente pessoas que amam crianças e valorizam a infância, estão convidados a sugerir, opinar, discordar, comentar e compartilhar essa experiência.

Peço clemência aos patrulheiros da língua portuguesa pelos erros que virei a cometer e solicito generosamente que vejam além deles.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A infância se impõe na Megalópole

A infância se impõe na megalópole
Outro dia voltava pra casa, após uma sexta-feira cansativa no trabalho, quando reparei em uma menininha. Ela atravessava a rua naquele trote tão comum às crianças e parecia cantarolar uma canção. O trânsito estava caótico, o buzinaço infernal, e ela, alheia a tudo isso, continuava no seu trajeto. O movimento que ela fazia parecia uma dança e por um momento aquela cena congelou em minha mente. Fui despertada por um grito de um motorista que se irritou com a minha distração. Quer ser atropelada? Vociferou ele. Assustada, olhei para a direção da menina e percebi que ela e outras pessoas olhavam pra mim, mas logo em seguida ela se virou e seguiu seu caminho, dançando como uma borboleta.
Isso me remeteu a questão do brincar e da infância em cidades grandes. Os espaços estão cada dia mais reduzidos para as crianças exercitarem o brincar, algo tão natural pra elas, como respirar. Há poucas praças por São Paulo que são adequadas e pensadas para as crianças e as que existem ou estão em mau estado de conservação ou são frequentadas por moradores de rua, traficantes, prostitutas, baderneiros, que usurpam esses espaço e o utilizam da forma que querem, espantando os pequenos frequentadores e seus preocupados pais. Claro que existem exceções, como aquelas que a comunidade se apropria e ajuda a cuidar e fiscalizar seu uso, mas como eu disse são raríssimas exceções.
Os prédios, cada dia menores, também têm áreas mínimas ou quase nenhuma para a criança brincar e quando têm geralmente há um jardim e as crianças não podem brincar, jogar bola, andar de bicicleta. A questão é quais os espaços que as crianças tem para brincar além de suas próprias casas? O que nós podemos fazer em relação a essa questão? O que o poder público poderia fazer em relação a esse tema? Acho que deveria ter uma Secretaria da Infância em cada cidade e estado desse país, para pensar nas questões que envolvem essa fase tão primordial da vida e que vai afetar todo o desenvolvimento de uma personalidade, de um indivíduo.
O que me acalma um pouco o coração, não a razão, é que as crianças encontram recursos próprios para resistir aos muros que são impostos contra a infância, como aquela menina que atravessava o sinal cantarolando e dançando como uma borboleta, alheia ao caos a sua volta. Era só uma menininha, brincando, se adaptando a realidade que tinha. Parecia feliz, assim quero acreditar.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Rupturas

Sempre que estou triste ou vivenciando momentos difíceis sinto uma necessidade fundamental de escrever. É minha forma de exorcisar meus fantasmas, minhas dores, minhas inquetações, entender meu caos interno. A leitura é outro refúgio da minha alma. Agora que estou de férias da faculdade poderei também dar vazão a esse outro hábito que me delicia: viajar pelas páginas de alguns livros que não tive tempo de ler nesse início de ano, como O Menino do Pijama Listrado, A Cabana, entre outros. Antônio Candido diz que a literatura ajuda a organizar o nosso caos interno, pois é assim que me sinto a cada página dos livros que criteriosamente escolho para ler. Minhas noites estarão livres até agosto, quando minhas aulas recomeçarão, e enquanto isso, vou organizar meu tempo para fazer coisas diferentes e interessantes. Gosto de férias, mas também gosto do movimento, do ambiente, da energia que a faculdade exige. Tive oportunidade de conhecer professores talentosos, fiz amigos interessantes e conheci pessoas diferentes. Relacionamento é algo que exige energia, demanda dedicação, generosidade, mas gostar de gente é o primeiro passo nessa empreitada. E isso eu gosto. Gosto de trocar idéias, discutir temas, ouvir histórias. Adoro andar na rua e pegar rabo de conversa. Fico imaginando como são os protagonistas das histórias, o que fazem, o que pensam, se amam, se são amados.
A vida me inspira, meus meninos, Dominique e Bernardo me inspiram, me botam pra frente, me fazem ter energia pra seguir adiante. Vou aproveitar essas férias e me dedicar a eles e aos meus quereres. Ontem fui ao cinema sozinha. Adoro essas fugas. Fazer algo que me dá prazer e sem ter que partilhar esse momento com alguém pra se sentir bem, feliz ou livre é maravilhoso. Apesar que, liberdade integral depois da chegada dos filhos é difícil, ainda mais quando são tão pequenos como é o caso do Bernardo, com três anos. A culpa sempre acompanha a gente, mas a vida passa e os meninos crescem, portanto não dá pra deixar de fazer as coisas que gostamos por conta deles, afinal mães felizes e que se atentam às suas próprias necessidades exercitarão com mais intensidade e plenitude o papel da maternidade.