
Capítulo III
Onofre compreendeu então o que seu pai queria. Pensou que se era tão importante pra ele, cantaria. Apesar de não saber direito o que era cantar. Ah! Lembrou que toda vez que sua mãe ia colocá-lo na cama, fazia biquinho e desatava a soltar um som bem bonitinho. Achou que cantar só podia ser isso. Vendo que não tinha como escapar, resolveu começar logo.
Silêncio total. Os grilinhos, de olhos fechados, mal respiravam.
Encheu-se de coragem, respirou fundo, fez um lindo biquinho e ... nada aconteceu!
Um burburinho tomou conta da platéia. Todos perguntavam o que tinha acontecido, se alguém ouvira alguma coisa, teve grilo que desconfiou que não tinha lavado o ouvido direito. Depois de uma falação danada, Sr. Josué pediu novamente silêncio, dizendo que o pobre do Onofrinho precisava se concentrar. A multidão obedeceu sem pestanejar, afinal, estavam ali para ouví-lo cantar.
O grilinho repetiu tudo o que fizera anteriormente e, desta vez, algo aconteceu. Um ruído estranho e desafinado, parecendo porta rangendo, saiu da boca de Onofre. Assombro total.
Os grilinhos começaram a se entreolhar e a se perguntar:
- Vocês ouviram?
- Será que foi um tremor de terra?
- Digam-me que eu não ouvi o que acho que ouvi! - disse espantada, Dona Loló, a fofoqueira.
- Um desafinado! Que vergonha! A família “Boa de Canto” tem um filho desafinado, que não encanta e sim espanta! Sorte? Ele vai é me dar mais azar, isso sim. Vou me embora. E lá se foi, bufando e pisando duro.
Onofre, não entendendo direito o que havia acontecido, olhou para trás e viu a tristeza estampada no rosto de sua família. Seu pai, debruçado, murmurava:
- Não pode ser! Isso nunca aconteceu em nossa família. É uma desonra! Estou acabado! Que vergonha!
Sentindo que devia ter feito alguma coisa errada, o grilinho foi até seu pai, dando uns pulinhos curtinhos (porque ainda era muito bebê) e murmurou baixinho:
- Desculpe! - e desatou a chorar.
Dona Maviosa, voz maravilhosa, sentindo a tristeza de seu filho o abraçou e, como toda a mãe do mundo, independente de ser bicho, inseto ou gente, acalmou seu pequeno coração.
A multidão, ou melhor, o grileiro, começou a se dispersar, estarrecido com o ocorrido. No outro dia, a família “Boa de Canto” era motivo da conversa em qualquer rodinha que se visse. Saiu nos jornais, televisão, rádio, enfim, só se falava no triste acontecimento. O prefeito João Grilo, declarou luto oficial de três dias.
Em casa, Sr. Josué, agora mais calmo, refletia sobre como resolver tão delicada situação. Seu compadre Gororó foi quem lhe deu uma idéia:
- É melhor colocá-lo o mais rápido possível numa aula de canto. É a única solução.
Resignado, o pai de Onofre mandou imediatamente matricular seu filho na escola de Dona Mariquinha, a professora mais exigente da colônia. Sopraninha, que mudara de idéia e agora vivia grudada em seu irmãozinho, iria acompanhá-lo em todas as aulas.
Onofre achava Dona Mariquinha uma professora muito exigente. Às vezes lhe pedia uma nota e, quando ele não conseguia alcançar o tom, ralhava e o colocava de castigo. Nessas horas, Sopraninha sentia pena, mas não podia fazer nada e esperava. Depois de meses de aula e muito pouco progresso, a cidade inteira estava certa de que Onofre era mesmo um fracasso. Até Dona Mariquinha, se dando por vencida, foi até a casa de Onofre e o entregou a seu pai. Informou que fecharia sua escola, pois nunca em sua vida havia tido tamanho insucesso. Iria embora e nunca mais voltaria.
Silêncio total. Os grilinhos, de olhos fechados, mal respiravam.
Encheu-se de coragem, respirou fundo, fez um lindo biquinho e ... nada aconteceu!
Um burburinho tomou conta da platéia. Todos perguntavam o que tinha acontecido, se alguém ouvira alguma coisa, teve grilo que desconfiou que não tinha lavado o ouvido direito. Depois de uma falação danada, Sr. Josué pediu novamente silêncio, dizendo que o pobre do Onofrinho precisava se concentrar. A multidão obedeceu sem pestanejar, afinal, estavam ali para ouví-lo cantar.
O grilinho repetiu tudo o que fizera anteriormente e, desta vez, algo aconteceu. Um ruído estranho e desafinado, parecendo porta rangendo, saiu da boca de Onofre. Assombro total.
Os grilinhos começaram a se entreolhar e a se perguntar:
- Vocês ouviram?
- Será que foi um tremor de terra?
- Digam-me que eu não ouvi o que acho que ouvi! - disse espantada, Dona Loló, a fofoqueira.
- Um desafinado! Que vergonha! A família “Boa de Canto” tem um filho desafinado, que não encanta e sim espanta! Sorte? Ele vai é me dar mais azar, isso sim. Vou me embora. E lá se foi, bufando e pisando duro.
Onofre, não entendendo direito o que havia acontecido, olhou para trás e viu a tristeza estampada no rosto de sua família. Seu pai, debruçado, murmurava:
- Não pode ser! Isso nunca aconteceu em nossa família. É uma desonra! Estou acabado! Que vergonha!
Sentindo que devia ter feito alguma coisa errada, o grilinho foi até seu pai, dando uns pulinhos curtinhos (porque ainda era muito bebê) e murmurou baixinho:
- Desculpe! - e desatou a chorar.
Dona Maviosa, voz maravilhosa, sentindo a tristeza de seu filho o abraçou e, como toda a mãe do mundo, independente de ser bicho, inseto ou gente, acalmou seu pequeno coração.
A multidão, ou melhor, o grileiro, começou a se dispersar, estarrecido com o ocorrido. No outro dia, a família “Boa de Canto” era motivo da conversa em qualquer rodinha que se visse. Saiu nos jornais, televisão, rádio, enfim, só se falava no triste acontecimento. O prefeito João Grilo, declarou luto oficial de três dias.
Em casa, Sr. Josué, agora mais calmo, refletia sobre como resolver tão delicada situação. Seu compadre Gororó foi quem lhe deu uma idéia:
- É melhor colocá-lo o mais rápido possível numa aula de canto. É a única solução.
Resignado, o pai de Onofre mandou imediatamente matricular seu filho na escola de Dona Mariquinha, a professora mais exigente da colônia. Sopraninha, que mudara de idéia e agora vivia grudada em seu irmãozinho, iria acompanhá-lo em todas as aulas.
Onofre achava Dona Mariquinha uma professora muito exigente. Às vezes lhe pedia uma nota e, quando ele não conseguia alcançar o tom, ralhava e o colocava de castigo. Nessas horas, Sopraninha sentia pena, mas não podia fazer nada e esperava. Depois de meses de aula e muito pouco progresso, a cidade inteira estava certa de que Onofre era mesmo um fracasso. Até Dona Mariquinha, se dando por vencida, foi até a casa de Onofre e o entregou a seu pai. Informou que fecharia sua escola, pois nunca em sua vida havia tido tamanho insucesso. Iria embora e nunca mais voltaria.
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