CURUMIM

Este blog é dedicado ao universo maravilhoso e às vezes um tanto àrduo da maternidade. Mães, pais, amigos, tios, avós, padrinhos, primos ou simplesmente pessoas que amam crianças e valorizam a infância, estão convidados a sugerir, opinar, discordar, comentar e compartilhar essa experiência.

Peço clemência aos patrulheiros da língua portuguesa pelos erros que virei a cometer e solicito generosamente que vejam além deles.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Mistérios




Encarapitado nos ombros do pai, a caminho da escola, Nick faz um pedido:
- Pai, me compra uma floresta?
- Uma floresta?
- É. Uma floresta.
- Filho, florestas não se compram, florestas se plantam.
- Você planta uma pra mim?
Como explicar a um menino de quatro anos, que era impossível plantar uma floresta morando numa cidade com concreto por todos os lados e com pouquíssimas áreas verdes?
- Por que você quer uma floresta?
- Por causa do mistério.
- Que mistério?
- Pai, toda história de floresta tem mistérios. Há sempre barulhos estranhos, bichos estranhos, segredos, bruxas malvadas, monstros horripilantes, um monte de coisa que me mete medo.
- E o que você vai fazer com uma floresta?
- Vou prender o mistério.
- Como assim?
- Se eu tiver uma floresta vou poder prender o mistério pra ele não assustar mais nenhuma criança. Vai deixar de existir.
- Mas filho, como as crianças vão conhecer João e Maria, Chapeuzinho Vermelho, A Bela e a Fera, O pequeno Polegar, Branca de Neve, Rapunzel e tantas outras histórias? Elas nunca vão poder torcer para que o João se lembre do caminho de volta ou que o caçador abra a barriga do lobo e tire de lá de dentro a vovozinha. Como vão saber do Pequeno Polegar e sua luta contra o gigante pra ajudar sua família? E a Branca de Neve e a Rapunzel? Como as meninas vão viver sem conhecer essas lindas histórias de princesas?
Nick olhou para o pai com cara de espanto, não havia pensado nisso. Permaneceu em silêncio por alguns minutos e depois com uma carinha que revelava uma sabedoria grande demais para um menino tão pequeno, disse:
- Pensando bem, acho melhor deixar o mistério livre. Ele é assustador, mas confesso que até gosto um pouquinho dele. Com uma carinha marota começou a cantarolar uma canção se distraindo com um passarinho que voava por ali. O pai, sem entender nada, ficou pensando com seus botões no motivo que teria feito o menino mudar de idéia. Aí, se deu conta da beleza e do poder do MISTÉRIO. Jamais saberia.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Ônibus-biblioteca



Uma das coisas que mais marcou o início da minha vida escolar foi o Projeto do ônibus biblioteca. Toda quarta-feira, dia em que o ônibus vinha à minha escola (havia um rodízio pelos colégios da cidade) eu contava os minutos para a sua chegada. Não prestava a mínima atenção ao que a professora dizia. Como sentava em uma carteira perto da janela, dava pra ver a hora exata em que o ônibus amarelinho estacionava. Quando o via, gritava para professora: ele chegou, ele chegou e saia correndo em disparada. Cada sala podia ficar no ônibus por meia hora e os minutos pra mim voavam com uma velocidade espantosa. Podíamos escolher dois livros, que ficariam na escola até a semana seguinte. Difícil era saber qual escolher. Sempre pedia para a tia responsável me deixar levar mais alguns, mas ela era irredutível.
- Que troque entre seus amigos, me dizia com cara de poucos amigos. Lia rapidamente os livros e passava a semana importunando meus colegas para me deixar ler os deles. Alguns, sequer abriam os livros que pegavam no ônibus, eu achava aquilo um desaforo, outros, para que eu os deixassem em paz me emprestavam logo.
Foi assim que o gosto pela leitura foi me contagiando, mas houve uma pessoa que marcaria pra sempre essa minha relação com as letras: Edezina, Dêgo, para os íntimos, minha professora de História. Eu já estava na quinta série e no primeiro dia de aula ela trouxe para sala um monte de livros e pediu que escolhêssemos um para levarmos pra casa, ela nos emprestaria. Ela era uma professora diferente. Morava numa sobrado lindo, tinha três filhos, era casada com o Editor do Jornal da cidade, mas era simples e generosa. Como morava a uma quadra da escola era comum alguns alunos pararem para bater papo com ela toda vez que a viam no jardim, regando suas plantas. Ela parava o que estava fazendo e sempre nos acolhia com um sorriso, se interessava pelo que dizíamos. Era especial. Sempre fazia a gente se sentir importante, respeitada.
Passei a gostar ainda mais dela quando descobri que tinha em sua casa uma biblioteca. Naquela época a escola estava organizando um grêmio estudantil e três chapas concorreram. Na chapa em que eu participava propomos a criação de um jornal e acho que foi o que fez a diferença, pois ganhamos a eleição. Dêgo se ofereceu para nos ajudar e disponibilizou sua casa para que rodássemos o jornal. Era 1984 e o computador não tinha chegado até nós, portanto rodávamos o jornal em um mimiógrafo. Era tudo artesanal e fui encubida pelo grupo de ser a jornalista do grêmio. Com isso, minhas visitas à casa de Dêgo passaram a ser frequentes. Sempre arrumava um motivo pra estar lá. Resolvia logo o que precisava e em seguida pedia pra dar uma olhada na biblioteca. Ela sempre deixava e com o tempo percebi que ela gostava de minhas visitas. Londrina, sediava um Festival de Música Internacional e as famílias podiam se cadastrar pra hospedar os músicos estrangeiros em suas casa e Dêgo todos os anos recebia os artistas. Lembro-me que muitas vezes eu estava lá quando algum chegava e ela sempre me apresentava dizendo que eu já tinha lido toda sua biblioteca. Eu me sentia muito importante. Foi lá que conheci os Irmãos Grimm, Charles Perraut, Júlio Verne, Monteiro Lobato, Hans Christian Andersen, toda a coleção Vaga-Lume e muitos outros. Sinto uma gratidão profunda pela generosidade com que Dêgo me recebia em sua casa e abria o universo das letras para mim. Esse gosto, esse amor pelos livros que me segue até os dias de hoje devo muito a minha inesquecível professora de História.

Blog da Zanza: Milagre da maternidade

Blog da Zanza: Milagre da maternidade

Milagre da maternidade







A maternidade é sem dúvida nenhuma um prazer que se renova a cada dia. É um exercício diário pra se praticar com amor e desprendimento. Adoro estar com meus meninos, olhar pra eles, contar histórias, ouvir as histórias deles, apresentar o mundo pra eles, acalentá-los, ampará-los e vê-los crescer. Não é simples, mas com amor, sinceridade e gratidão tudo se ajeita. Digo gratidão, pois sou mesmo muito grata por ter tido a oportunidade de vivenciar essa experiência. Muitas não conseguem ou não podem, como minha irmã Val. Seu sonho era ser mãe, lutou muito por isso e depois de muitos anos conseguiu realizá-lo. Teve uma filha linda, mas não pode segurá-la em seus braços. Partiu antes pro infinito, onde dormem os justos. Ainda na uti neo-natal, com a solidariedade da enfermeira de plantão, segurei aquela menininha frágil e prematura nos braços. Abracei-a com um carinho como se pudesse protegê-la de tudo que viria pela frente e sussurei em seus pequenos ouvidos que cantaria para ela canções que eu sabia que sua mãe lhe cantaria se estivesse ali. Foi um momento muito marcante da minha vida. Daqueles que ficam congelados em nossa memória. Sua filha, sonho de qualquer mãe e minha afilhada, segue hoje pela vida, ao lado do pai, levando em seus traços e modos, o jeito indiscutível de minha eterna irmã amada. As vezes, quando olho para os meus meninos lembro-me de minha irmã e sinto gratidão pelo milagre de ter podido carregar um filho nos braços. Ela, que saiu do Paraná no meio da noite e veio pra São Paulo numa visita surpresa na maternidade quando tive meu primeiro filho. Fez de tudo pra estar presente nesse momento tão especial da minha vida. Passou uma noite comigo no hospital e olhava pro meu filho num estado de felicidade indescritível, sem saber que já carregava em seu ventre o maior dos seus sonhos. Era divertida, brincalhona, alto-astral, doce, paciente e amava crianças, motivo que a levou ao magistério e a sua paixão por ensinar. Com todas essas qualidades achei que era a pessoa ideal para batizar meu filho e quando a convidei, ela ficou extremamente emocionada. Mas isso infelizmente não aconteceria, pois seis meses depois, um dia após a realização do chá de bebê de sua menina, tudo se precipitaria deixando marcas eternas em nossas vidas. A dor foi lancinante e me levou a uma depressão que sem a ajuda de Deus e dos familiares eu não suportaria. Foi meu bebê e a fé em uma força maior que me fez superar toda a dor. Sei que a luz dela acompanha meus passos nessa caminhada que é a maternidade e tenho vontade de fazer sempre o melhor para honrá-la no desejo que infelizmente não pôde vivenciar. Val, meu eterno amor.






terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Senhas e códigos




Ao fazer compras no mercado o caixa me perguntou: quer nota-fiscal paulista? Respondi que sim e ele continuou: qual o seu CPF? Tentei responder, mas simplesmente não conseguia lembrar dos números que insistentemente informo quando vou às compras. Deu branco total. O caixa, impaciente, me perguntou de quantos em quantos números eu decorava. Ao responder que eram de dois em dois, ele aproveitou pra me dizer que era por isso que eu não me lembrava, que CPF se decorava de três em três números. Olhando pra ele fiquei pensando na infinidade de números e senhas que a gente tem que decorar: é senha de banco, é letra de acesso, é senha na internet, é senha do cartão dos filhos, é senha pra acessar o computador no trabalho,senha, senha, senha. É uma loucura.Há gente nascendo o tempo todo e a necessidade de identificação, até para nossa segurança se faz necessário, mas são tantos números e senhas que daqui a pouco os bebês sairão do hospital com código de barra.Há tantas coisas interessantes, belas e poéticas para ocupar nossas mentes, que acho um desperdício deixar tanto espaço pra números e senhas. Ô coisa irritante! E você? O que te irrita? Deixe seu comentário!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O livro e a criança


Não me lembro do primeiro livro que li, tampouco, lembro quando foi que passei a gostar de ler, mas tenho algumas pistas. Meus pais eram semi-analfabetos e em minha casa livros eram artigos raros, a não ser os didáticos que meus irmãos mais velhos recebiam como doações de seus professores. Com 13 filhos para alimentar e vestir, não havia dinheiro suficiente para comprá-los. Um tempo depois, gibis e livrinhos de bolso, aqueles de faroeste, começaram a circular em casa escondidos de minha mãe. Evangélica, ela não gostava que lêsse-mos aquelas “porcarias”. Havia gibis do Tex, Zagor, Ken Parker, Fantasma, Chacal, Mandrake, Zero, Conam, Homem Aranha, Superman, Walt Disney, Turma da Mônica e muitos outros. Quando descobri aquela“mina” comecei a fazer longas incursões ao quarto dos rapazes. As vezes ouvia a voz de minha mãe e saia correndo pela janela pra que ela não descobrisse onde eu estava. Não queria correr o risco de perder aquele tesouro. Quando meus irmãos me descobriram, não brigaram, passaram a ser meus cúmplices. Acho que eles gostavam de ver uma pirralha como eu distraida com a literatura de que gostavam.

Tudo ia bem até o dia em que um deles, muito avoado, deixou uma revista de mulher pelada junto aos gibis. Nunca tinha visto uma mulher estranha nua. Sendo a sétima de oito irmãs, a nudez feminina não me era segredo, mas aquelas fotos me deixaram completamente espantada. As mulheres eram grandes, cheias de carne e me deixaram intimidada, envergonhada. Passei a mão pelo meu corpo franzino de menina e achei que devia haver algo errado comigo. Peguei umas roupas espalhadas pelo quarto e coloquei embaixo da camiseta. Decididamente, eu não me parecia com elas. Com medo de ser surpreendida, saí correndo do quarto com o coração em disparada e acabei esquecendo a porta aberta. Foi um erro. Minha mãe entrou no quarto para dar uma arrumada e descobriu a minha mina. Queimou tudo. Brigou com os meus irmãos e me proibiu de entrar no quarto. Fiquei por vários dias desolada. Como não havia televisão em casa sentia muita falta das histórias que lia. Foi a primeira vez que quis ter outra mãe. Houve outras vezes.
Esse amor pelos livros que me acompanha até os dias de hoje foi revitalizado ainda mais quando me tornei mãe. Revisitar autores e personagens que fizeram parte da minha vida com meus meninos foi uma experiência incrível.É uma volta no tempo, num tempo em que a vida era simples e as angústias se resumiam a bruxas, ogros, feitiços, lobos, gigantes, torres etc.Mas sem dúvida nenhuma essas angústias e medos me fortaleceram para a vida real, papel importantíssimo desempenhado pelos contos de fadas e pela literatura de qualidade voltada às crianças. E você gosta de ler? O que lia quando criança? Gosta de ler para os filhos? Deixe seu comentário. Faça uma blogueira feliz!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Minha nova paixão: sapatos


Descobri recentemente que adoro sapatos. Com um orçamento sempre enxuto nunca dei muita bola pra esse item do vestuário feminino, mas com tantas mudanças ocorrendo em minha vida comecei a despertar pra coisas que não ligava, como sapatos. Tá, meu orçamento não mudou, não tive aumento de salário, não ganhei na mega-sena e nem recebi nenhuma herança, simplesmente me permiti apreciar e entender esse item que deixa muitas mulheres malucas.

Tenho me atentado mais em coisas do universo feminino como acessórios, bijouterias etc. Com a correria da vida muitas vezes deixamos de lado esses aspectos tão instintivos do feminino como a sensualidade e a sedução, mas como estou num momento de resgate estou dando vazão a todo tipo de sensação e curiosidades que me assaltam.

Calço pequeno, meu número é 33/34 e sempre tive uma certa dificuldade em encontrar coisas legais, mas acho que a medida que passei a me interessar por esse universo começei a descobrir cada modelo de encher os olhos. Entrei em uma loja e fiquei doidinha com a variedade de modelos para o meu número. Antes, só olhava pela vitrine, mas resolvi entrar e experimentar alguns. Amei e mesmo não comprando nada saí da loja com uma felicidade incrível. Pequenos prazeres fazem uma grande diferença no dia a dia.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Abelardo da Hora

Já há alguns dias meu filho Nick vinha me pedindo para levá-lo à a livraria Saraiva do Conjunto Nacional. É um passeio que curtimos fazer, podemos folhear os livros, lê-los sem pressa, sem patrulhamento de funcionários com caras ranzinzas, enfim é algo tranquilo e prazeroso. Em frente ao MASP algumas esculturas me chamaram a atenção. Curiosa resolvi dar uma olhadinha, mas não tinha dimensão do quanto ia gostar. A exposição intitulada Amor e Solidariedade, de Abelardo da Hora, um pernambucano arretado e multi-talentoso, que além de escultor é pintor, gravurista, ceramista, desenhista é simplesmente maravilhosa. Abelardo diz que sua obra é feita para a sua gente, pra gente que ama a cultura de seu país, gente com a gente.

Há esculturas de bronze, cimento bruto, telas, desenhos, gravuras e cerâmicas. Muitas das obras expostas retratam o corpo feminino com sensualidade e um certo recato, mas há também obras que expõe as condições sub-humanas da sociedade nordestina e os efeitos devastadores da seca sobre o homem. São esculturas impactantes e belas. De blocos inteiros de cimento surgem figuras delicadas, crianças chorando a fome, o desamparo, o esquecimento. No rosto dos pais o desespero avassalador, a resignação. São muitas as esculturas, mas duas me tocaram especialmente, Mãe com Filho Doente e Desamparados. Dói só de olhar. As gravuras, os desenhos da Série Os Meninos de Recife também são belos e simples, como são meninos quando são só meninos. Agora, as esculturas do corpo feminino são deveras exuberantes. Adorei a Nega Fulô com seu olhar imponente e orgulhoso. A exposição é linda e merece a visita de todos. Vamos prestigiar os artistas nacionais, principalmente aquele que são notadamente mestres em sua arte.Quem for ver a exposição deixe um comentário sobre suas impressões. Vou adorar!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Diversidade do ser




Outro dia, meu filho Dominique chegou da escola falando da beleza dos olhos claros de uma amiga. Me faz saber que gostaria muito de ter olhos claros e pensando nisso resolvi escrever um texto que valorizasse a beleza como ela se apresenta.


OLHOS CASTANHOS

- Mãe, eu não queria ter olhos castanhos, revelou Clarinha com um muxoxo. Queria ter olhos azuis como os da Paulinha e do Rafael. São tão bonitos.
Clarice olhou surpresa para a filha:
- Mas Clara, seus olhos são lindos!
- Eu não acho eles assim tão bonitos, podiam ter uma corzinha diferente.
Percebendo que não conseguiria convencê-la facilmente, Clarice resolveu lhe narrar uma história que sua avó, Alaydes, havia lhe contado há muito tempo atrás, quando ainda era menina.
Deus, um grande artista, sempre adorou as cores, por isso coloriu tão lindamente as coisas do mundo. Quando criou os homens percebeu que poderia colocar em uma pequena parte dos seus corpos, os olhos, algumas de suas cores preferidas. Então do imenso azul do céu retirou um pedacinho e coloriu os olhos de alguns homens. Não iria fazer falta.
Do verde das florestas do mundo, retirou outro pedacinho e deu a outros homens. Da noite escura, que nos permite ver a beleza da lua e das estrelas um outro pedacinho foi tirado e, então, o negro da noite foi parar nos olhos de alguns homens.
Clarice foi então interrompida pela ansiedade de Clara:
- E os olhos castanhos, mamãe, de onde Deus tirou essa idéia?
- Ah! Deus pensou e pensou e lembrou-se da Terra, da nossa mãe terra, do solo marrom de onde germina a vida e brota a semente a fruta e a flor e retirou um pedacinho para colorir os olhos dos últimos homens.
Aí, Deus se alegrou imensamente do trabalho que havia feito e da variedade de cores que teriam os olhos dos homens.
Clara, que a tudo ouvia sem piscar, abraçou sua mãe e com emoção revelou que também estava alegre e que daquele dia em diante teria muito orgulho dos seus lindos olhos castanhos.

Vida que se celebra


Sempre que chego no trabalho às segundas-feiras faço questão de ler os jornais do final de semana. Acompanho em casa pela internet as notícias, mas como atualmente não assino nenhum jornal adoro poder folhear um , mesmo já conhecendo o conteúdo das notícias. Milagres continuam acontecendo no Haiti, pois depois de tantos dias da tragédia vítimas continuam sendo encontradas vivas debaixo dos escombros. Minhas orações e pensamentos continuam por lá, numa corrente com milhares de pessoas pelo mundo, com certeza.Acontecimentos como esse nos dão a dimensão da fragilidade da vida humana e nos lembram a beleza e o milagre de estarmos vivos. A cada manhã, quando abro os olhos, agradeço por estar pulsando, respirando, por estar viva, por estar perto dos meus meninos, que crescem a cada dia cheios de saúde e traquinagem. E peço a Deus que me guie sempre nessa jornada maravilhosa que é a educação de um ser humano, de um filho, no meu caso de dois filhos. A maternidade é sem dúvida nenhuma uma experiência fantástica e pessoal, pois cada criança é única em seu olhar, em suas respostas, em sua compreensão, e conduzí-las pela vida é uma oportunidade, um privilégio que o universo nos dá para nos tornarmos cada vez mais humanos, mais generosos e menos individualistas.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Pensamentos

Meu ano começou com grandes mudanças, difíceis mas grandes. Solteira, com dois filhos lindos e saudáveis para criar, faculdade, trabalho, sonhos, medos, mas acima de tudo esperança. Esperança por um ano melhor, de redescobertas, reencontros, uma maior espiritualização e da busca pela simplicidade. Engraçado que com o passar dos anos nossas prioridades vão mudando, não os valores, mas a hierarquia do que considerávamos importante.

A cada dia que passa busco o simples. Ultimamente quando algo desperta meu interesse sempre me pergunto: você precisa mesmo disso? Deixei de comprar coisas, de fazer coisas, pois entendi que muitas vezes não precisava daquilo. Era só um desejo de ter. E cada dia mais busco o ser, o sentido de humanidade que habita minha alma e espírito. Estou correndo em busca de coisas genuínas, que de fato me trazem alegria, prazer, como escrever. Resolvi que vou investir nesse desejo, que vou dar vazão a ele, deixar brotar as palavras, as letras, que insistem em sair de meus pensamentos. Não vou mais represá-los. Vou libertá-los, pois quando faço isso minha alma se alegra e meu espírito se aquieta.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Comecei 2010 com uma idéia fixa: escrever regularmente no blog. Até então ficava meses sem escrever nada, esquecia o endereço, completamente displicente, mas agora firmei um compromisso de que será diferente dessa vez. Ano novo sempre me inspira a escrever. Sinto vontade de burilar as letras, soltar a criatividade, inventar e me divertir.
2010 começou de uma forma bastante trágica, muitas catrástofes, desabamentos, soterramentos, terremotos, ameaças de tsunami etc. É espantos0 como a natureza tem respondido aos avanços do homem. Quantas vidas se foram nesse início de ano. O Haiti é aqui sim, pois olhar as imagens da devastação sofrida por aquele povo nos compadecemos, nos chocamos e nos aproximamos na dor. A perda de tantas vidas entre elas a de Zilda Arns, uma das mulheres que eu mais admirava nesse país me deixou estarrecida. Ela era nossa Madre Tereza de Calcutá, fazia pelos menos privilegiados, pelas crianças, então terá minha eterna gratidão e respeito.