CURUMIM

Este blog é dedicado ao universo maravilhoso e às vezes um tanto àrduo da maternidade. Mães, pais, amigos, tios, avós, padrinhos, primos ou simplesmente pessoas que amam crianças e valorizam a infância, estão convidados a sugerir, opinar, discordar, comentar e compartilhar essa experiência.

Peço clemência aos patrulheiros da língua portuguesa pelos erros que virei a cometer e solicito generosamente que vejam além deles.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O livro e a criança


Não me lembro do primeiro livro que li, tampouco, lembro quando foi que passei a gostar de ler, mas tenho algumas pistas. Meus pais eram semi-analfabetos e em minha casa livros eram artigos raros, a não ser os didáticos que meus irmãos mais velhos recebiam como doações de seus professores. Com 13 filhos para alimentar e vestir, não havia dinheiro suficiente para comprá-los. Um tempo depois, gibis e livrinhos de bolso, aqueles de faroeste, começaram a circular em casa escondidos de minha mãe. Evangélica, ela não gostava que lêsse-mos aquelas “porcarias”. Havia gibis do Tex, Zagor, Ken Parker, Fantasma, Chacal, Mandrake, Zero, Conam, Homem Aranha, Superman, Walt Disney, Turma da Mônica e muitos outros. Quando descobri aquela“mina” comecei a fazer longas incursões ao quarto dos rapazes. As vezes ouvia a voz de minha mãe e saia correndo pela janela pra que ela não descobrisse onde eu estava. Não queria correr o risco de perder aquele tesouro. Quando meus irmãos me descobriram, não brigaram, passaram a ser meus cúmplices. Acho que eles gostavam de ver uma pirralha como eu distraida com a literatura de que gostavam.

Tudo ia bem até o dia em que um deles, muito avoado, deixou uma revista de mulher pelada junto aos gibis. Nunca tinha visto uma mulher estranha nua. Sendo a sétima de oito irmãs, a nudez feminina não me era segredo, mas aquelas fotos me deixaram completamente espantada. As mulheres eram grandes, cheias de carne e me deixaram intimidada, envergonhada. Passei a mão pelo meu corpo franzino de menina e achei que devia haver algo errado comigo. Peguei umas roupas espalhadas pelo quarto e coloquei embaixo da camiseta. Decididamente, eu não me parecia com elas. Com medo de ser surpreendida, saí correndo do quarto com o coração em disparada e acabei esquecendo a porta aberta. Foi um erro. Minha mãe entrou no quarto para dar uma arrumada e descobriu a minha mina. Queimou tudo. Brigou com os meus irmãos e me proibiu de entrar no quarto. Fiquei por vários dias desolada. Como não havia televisão em casa sentia muita falta das histórias que lia. Foi a primeira vez que quis ter outra mãe. Houve outras vezes.
Esse amor pelos livros que me acompanha até os dias de hoje foi revitalizado ainda mais quando me tornei mãe. Revisitar autores e personagens que fizeram parte da minha vida com meus meninos foi uma experiência incrível.É uma volta no tempo, num tempo em que a vida era simples e as angústias se resumiam a bruxas, ogros, feitiços, lobos, gigantes, torres etc.Mas sem dúvida nenhuma essas angústias e medos me fortaleceram para a vida real, papel importantíssimo desempenhado pelos contos de fadas e pela literatura de qualidade voltada às crianças. E você gosta de ler? O que lia quando criança? Gosta de ler para os filhos? Deixe seu comentário. Faça uma blogueira feliz!

Nenhum comentário:

Postar um comentário