CURUMIM

Este blog é dedicado ao universo maravilhoso e às vezes um tanto àrduo da maternidade. Mães, pais, amigos, tios, avós, padrinhos, primos ou simplesmente pessoas que amam crianças e valorizam a infância, estão convidados a sugerir, opinar, discordar, comentar e compartilhar essa experiência.

Peço clemência aos patrulheiros da língua portuguesa pelos erros que virei a cometer e solicito generosamente que vejam além deles.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Onofre, o grilinho desafinado - Cap. I

Muitos amigos sabem da minha vontade de escrever livros para crianças. É um público que me inspira, emociona e motiva, mas são meus filhos sem dúvida nenhuma minha maior inspiração. Dedico essa história, que tomou de assalto minha alma e meu coração à todas as crianças e adultos que ainda guardam dentro de si a criança que um dia foram.
O texto do Onofre foi desenvolvido para um concurso de livros infantis. Não ganhei, mas acho uma história tão fofa, que tive vontade de partilhá-la com vocês. Vou publicá-la em capítulos. Deixem suas opiniões, seus olhares, suas impressões. Quem sabe algum editor goste e me faça um convite para publicá-lo. Seria demais!

ONOFRE , O GRILINHO DESAFINADO
Capítulo I
Em um matagal perto de um rio cristalino havia uma grande comunidade grileira, isto é, uma cidade de grilos. Essa seria mais uma história comum sobre grilos, se não fosse o inusitado acontecimento que atingiu a família Boa de Canto com o nascimento de um novo integrante, o pequeno Onofre.
Essa família era famosa por possuir grandes cantores. Você pode estar se perguntando: que novidade há em uma família de grilos que cantem, afinal, todos os grilos cantam. Acontece que esta família era especial. Tinha em seu clã: barítonos, sopranos, baixos, contraltos, etc. Sempre era convidada para alegrar as festas de toda a população da colônia. Só não gostava de cantar quando algum grilinho morria, porque fora a tristeza pela perda de um amigo, não podiam dar seus famosos agudos.
Tudo andava tranqüilamente até que Dona Maviosa, voz maravilhosa, reuniu a família e contou que nasceria dentro em breve mais um grilinho para alegrá-los. Todos ficaram felizes. No mesmo dia, as apostas começaram:
- Será ele um barítono, dizia o vovô Genival, todo orgulhoso.
- Nada disso, respondeu vovó Alaydes, fazendo um muxoxo. Aposto que ele será um tenor. E dos melhores.
- Eu sou o pai e tenho certeza de que meu filho será um baixo, afirmava Sr. Josué.
Em todos os lugares da colônia só se falava no nascimento do mais novo integrante da tão prestigiada família.
Chegou o grande dia. Todos acordaram cedo, limparam suas casas, aguaram as plantinhas, sacudiram os tapetes e esperaram. É, porque fora isso, não tinham muito o que fazer.
Na casa de Dona Maviosa o rebuliço era total. Sr. Josué, não parava de andar de um lado para o outro de tanta ansiedade e nervosismo. Seus compadres, Gererê e Gororó, tentavam acalmá-lo:
- Fique tranqüilo, vai dar tudo certo. Se continuar a andar assim vai abrir um buraco no chão.
Sopraninha, que era a caçulinha da família, estava meio apreensiva e sentia vontade de chorar. Seu coraçãozinho estava apertado, pois, temia que com a chegada do novo irmãozinho, todos a esquecessem. Por mais que Dona Maviosa, sua mãe, lhe dissesse que seria sempre sua princesa, ela sentia um friozinho na barriga. Agachadinha, pensando com seus botões, levou o maior susto quando vovó Alaydes entrou gritando:
- Nasceu! Nasceu! O pequerrucho nasceu!
Foi uma correria. O Sr. Josué de tão atarantado não sabia o que fazer. Andava de um lado para o outro e, de repente, começou a chorar um choro baixinho. Só que não era de tristeza, mas sim de muita felicidade. Só parou de caminhar quando seus compadres, Gererê e Gororó, lhe perguntaram se não ia ver o filho. Percebendo que estava parecendo um bobo saiu em disparada para o quarto. Abriu a porta devagarinho e ficou muito, mas muito emocionado quando viu Dona Maviosa, voz maravilhosa, segurando um montinho de pano enrolado. Foi chegando de mansinho.....

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